De acordo com o relatório confidencial da troika, ao qual o Financial Times teve acesso, os indicadores económicos da Grécia deterioraram-se de forma tão acentuada nos útimos 3 meses que o País está falido. O plano de privatizações é um fracasso - dos previstos 66 mil milhões de euros de receitas a troika estima que só renderão menos de 20 mil milhões - e mesmo com uma reestruturação da dívida em 60% a Grécia nunca irá retomar um patamar sustentável antes de 2020. A contracção da economia, consequência natural da brutal diminuição do consumo interno, fruto da redução dos salários e pensões e do aumento do desemprego, conduziu a Grécia a este enorme buraco sem saída. Este é o resultado prático da aplicação da receita da troika, num País onde os seus Governantes também diziam que depois dos sacrifícios ia haver "luz ao fundo do túnel". No nosso País, o Governo PSD/CDS quer aplicar em meses o que na Grécia demorou anos. Com Sócrates e sem a troika mas com os PECs já vieram medidas de austeridade como aumentos de impostos e cortes salariais. Com Coelho e Portas veio a negação das promessas eleitorais aumentando impostos e o "roubo" de metade do subsídio de Natal. Agora com o OE para 2012 o "assalto" vai aumentar - aumentos do IVA em muitos bens e serviços essenciais e em actividades económicas que vão sofrer um rude golpe como a restauração cujo IVA passa de 13% para 23% no Continente, o "roubo" da totalidade dos subsídio de Férias e de Natal para os Funcionários Públicos e para todos os Pensionistas que recebam acima de mil euros e parcial se receberem abaixo em 2012/13, etc.. Ouvi o Ministro da SS, o tal que disse que "as pensões mínimas não são congeladas, não esquecemos os mais pobres", lembrança essa que vale 0,19 cêntimos/dia o que é uma vergonha, vir dizer que a partir de 2040 não há dinheiro para pagar as pensões, começando a preparar a opinião pública para novos cortes de pensões! Em 2012/13 não vão ser pagos subsídios de Férias e Natal aos pensionistas. Os fundos da CGA e da Segurança Social são privativos, constituídos com os nossos descontos - o que é que vão fazer do dinheiro que não vão usar? Vão deixá-lo de reserva ou vão desviá-lo para entregar aos Bancos, cujos Administradores em 2010 tiveram uma remuneração anual a rondar os 843 mil euros - uma subida de 18,3% em relação a 2009? O nosso País com estas e outras segue muito rápidamente o caminho da Grécia. Deste OE para 2012 virá menos poder de compra, menos consumo, mais recessão, mais desemprego, mais encerramento de Empresas e, em consequência, menos receitas fiscais. Por isso, e como na Grécia, virão para 2013 mais aumentos de impostos, cortes de salários e reformas, despedimentos na Função Pública, etc., numa espiral de loucura num País que porque não cresce económicamente só se afunda em crise. Esta corrida para o abismo poderia ser travada se fosse seguido um outro caminho. Bastaria taxar em 15% as grandes fortunas e os dividendos que não são taxados, para se recolher mais dinheiro para o Estado do que com os 15% de rendimento que se vai tirar aos Funcionários Públicos. Mas este País não toca nos ricos!!! O Governo tem a coragem dos cobardes - ataca os fracos! Este ataque já está à vista, mas como madeirenses preparemo-nos para o que aí vem. O silêncio de AJJ assusta! Algo anda a ser tramado e não deve ser bom! O PSD e o CDS conseguiram vender nas Regionais a imagem de defensores da Autonomia, um capaz de bater o pé a Lisboa e outro de dialogar. O PSD voltou a ter maioria absoluta embora tangencial, 2 Deputados, e o CDS triplicou a votação. Só que o OE para 2012 demonstra que nem o bater de pé nem o diálogo impediram cortes e que as medidas duras nacionais vão aplicar-se cá! Não há Autonomia que nos defenda! A maioria das receitas resultantes de muitas medidas ficam nos cofres da Região e AJJ aplaude e por issso não pode defender o Povo. Resta saber o que ainda falta vir para tapar os buracos da dívida desta governação. Portagens, taxas moderadoras, privatizações, etc., são medidas esperadas. Resta saber se não teremos agravamentos de impostos para além dos nacionais! Os tempos que aí vêm vão ser muito difíceis para o Povo! Com a agravante da oposição popular e socialista ter ficado arredada do Parlamento! Agora o trabalho de oposição e luta vai ter que se despir da procura cega do mediatismo, vai ter que ir ao encontro das suas raízes populares! Os cortes cegos com as boas experiências do passado que foram até ao ponto de cortar nomes em Tempos de Antena e a não procura de alguma participação de figuras de prestígio podiam, têm os seus custos. Compreendo que novos dirigentes tracem novos caminhos e tudo fiz para isso - mas sempre aprendi que a História não se apaga!

Paulo Martins