J. Edgar Marques da Silva Lusitânia luta contra o cancro, longos anos de tratamentos intensos, injecções de capital, empréstimos vesicantes, com efeitos imunosupressores graves na economia, elevadas taxas de juro um efeito secundário devastador, que debilita o seu sistema imunitário. Nunca se conseguiu, mesmo associando quimioterapia com radioterapia que a remissão da divida tumoral, fosse uma evidência, antes pelo contrario assistiu-se a uma proliferação violenta de metástases, que contaminaram todos os órgãos produtivos, minaram o sector comercial e industrial, e o recurso a uma terapia de choque, apenas acelerou a capitulação da já fragilizada Lusitânia, face à doença: eis agora em plenos cuidados paliativos, com a santa unção dada, só lhe resta esperar pelo último suspiro. O objectivo agora, de lhe proporcionar bem-estar e qualidade de vida, no fim que inexoravelmente se aproxima, torna-se um paradoxo, pois eram esses mesmos objectivos que se pretendiam alcançar, aquando do inicio dos tratamentos, prescritos e estabelecidos por governantes dedicados e sempre zelosos, do bem comum, que pretendiam para o pais: a imunização para todas as doenças económicas, tornou-se em fragilidade crescente face a uma cura, que se tornou razão de uma doença incurável e devastadora, face á perda crescente de defesas fragilizando o pais, face a outros agentes patogénicos especuladores bactericidas e virais que completam o círculo de destruição. Assim sendo o definhar lentamente, torna esta fase paliativa, a mais difícil de ultrapassar e de aceitar, já que a derrota é certa, mais pela cura que pela doença. Estamos em plena "acção paliativa", o governo, estabelece um plano terapêutico, sem intenção curativa, sempre pensando no bem-estar e conforto, por isso a cada acção, tenta que as suas consequências, minimizem o sofrimento, mesmo sabendo que a esperança é a "ultima a morrer", aparentemente, não a nega, nem a retira por acções ou omissões, ingenuamente até chega a acreditar e faz acreditar que "um milagre sempre é possível"… neste caso, a cada eleição, quando os nossos cuidadores estafados, são curados pela derrota em urnas, buraco que eles próprios ajudam a cavar, sabendo sempre, que quem morre, nunca são eles, nem o corpo, nem os seus sonhos ou esperanças e tendo sempre como certos, os seus objectivos particulares, que se traduzem em qualidade de vida e ausência total de sofrimento: aqui reside a explicação que uma grande fortuna, nasce da miséria de muitas vidas. Mas ainda tenho esperança que esta Lusitânia sobreviva e faça como deve ser as exéquias aos seus carrascos. Será que neste Portugal ninguém ainda se apercebeu que a cura está a matar sem dó nem piedade, a doença persiste e a tentativa de cura é causa principal do eventual fim, se assistirmos pávidos e serenos.