Dorido, mas não admirado, com os "murros" no estômago que tenho sentido. O 1º Ministro anunciou, que os sacrifícios dos portugueses não tinham paralelo nos últimos 50 anos. 1961.Tinha 8 anos. Governava Salazar. Matina ¼ de pão seco, quando havia. Descalço para a escola. A meio da manhã uma colher de sopa de óleo de fígado de bacalhau (ainda hoje me arrepio) enganava o estômago aos alunos. Domingo, só na missa, lá havia algo de sola de pneu a proteger os pés. Pois, estamos a chegar a esse tempo… fome. Fomos avisados, faça-se justiça. Lances mal resolvidos pelos árbitros, num jogo de futebol, logo reclamam incompetência e sua substituição por estrangeiros. O Dr. Passos Coelho adoptou essa estratégia. Foi a Bruxelas buscar o Dr. Vítor Gaspar e ao Canadá o Álvaro (é assim que gosta de ser chamado). Conclusão: recessão, desemprego, falências, aumentos de água luz leite transportes... Com o "Homem de Bruxelas" (tremo todo quando o vejo a falar na TV) aumenta o IVA, impostos, corta ordenados, pensões, subsídio de férias e Natal. O Salazar foi mais patriota, também era fome mas com ministros da casa. No futebol, "jogador que tenta ludibriar tanto a letra como o espírito da lei 12" enganando o árbitro e com essa batota tirar vantagem para a sua equipa será punido pelo árbitro no momento com amarelo ou pela organização da competição posteriormente. Ora, pessoas que recebem subvenções vitalícias por desempenho de cargos públicos, estão isentas do corte do 13º e 14º mês. A lei, feita pelos próprios, determina que essas subvenções correspondem apenas a 12 meses do ano. Logo não havendo +2, nada há para tirar. No futebol este comportamento é punido com cartão amarelo e á 2ª vez com vermelho. Como são 2 meses… Reflectindo e estudando esta lei "justa" descobri uma outra ainda mais justa. Vou telefonar ao Ministro das Finanças a propor-lhe o seguinte: O rendimento da minha última declaração de IRS entregue, será dividido por 12 meses. No próximo ano o Governo apenas me paga 12 ordenados correspondendo cada um ao quociente da operação anterior. Poupa o Governo 2 meses e ganho eu em saúde, evitando úlcera estomacal a lamentar a subtracção do subsidio de férias e natal. Quantas úlceras serão evitadas, quantos milhões poupará o Governo em médicos e mezinhas no debelar do surto "ulcerigeno" que abaterá sobre o povo português nos próximos 2 anos. Também sou português e como diz o povo "ou há moralidade ou comem todos". Dr. Passos Coelho, você, já me parece alguns políticos medíocres da Oposição desta terra. Eu também não "cauciono" nada. Mas que lhe fez jeito fez. Invente outro argumento, deixe a Madeira em paz e enxergue as inúmeras ilhas que proliferam por este país.
Francisco Costa, Técnico de arbitragem