O Marítimo existe desde 1910. A primeira bola de futebol de que há memória em Portugal foi trazida de Inglaterra por Henry Hinton em 1875 e com ela fizeram-se os primeiros jogos de futebol em Portugal, no Largo da Achada, na Camacha. Aprendo, lendo a "História do Club Sport Marítimo, 1910.2000" - selecção e texto de Deodato Rodrigues, Diário de Notícias. À beira-mar, na cidade, assistia-se aos jogos disputados pelas tripulações dos barcos que passavam pelo Funchal. Na época, os madeirenses apenas assistiam aos jogos dos outros, mas não ficaram na bancada para sempre. Tornaram-se jogadores, sem indumentária de jogo (muitas vezes descalços) saíram de casa, arregaçaram calças e camisas e ocuparam o espaço do campo D. Carlos sempre que este estava livre. Deixaram de ser meros espectadores e fizeram-se "marítimos". É notável a história do Marítimo, mas para mim - mais do que as glórias - retenho, da sua história, o esforço e a vontade de ganhar. Nessa altura, não se falava de "marca", "identidade", ou "imagem". Mas é nessa época que vamos encontrar o ADN Marítimo. A fama construída a partir da forma aguerrida com que entravam em campo, jogando sempre para ganhar, custasse o que custasse, sem medo dos empurrões e das caneladas. Já não estamos no tempo do futebol jogado à beira-mar, à procura afirmação, e hoje as caneladas e os empurrões são outros. O futebol gera 400 milhões de empregos, directos e indirectos, e a FIFA tem mais países membros associados que a ONU. O que é que isto tem que ver com a Cultura? Tudo, pois o futebol é a maior indústria de entretenimento e quem trabalha com performance, público e espectáculo deve ter isso em consideração. A história do Marítimo é a de um clube ligado às suas bases, à sua Região e ao Mundo, é a de um clube que cresce e faz crescer as pessoas que a ele se associam. Na cultura, no desporto e na educação, o Marítimo vive-se com emoção.

Natércia Xavier, Formadora