Rui Caires É lastimável, catastrófico, vergonhoso o estado em que o país mergulhou, graças a uma constelação de políticos, economistas e jornalistas, incompetentes, mesquinhos, vaidosos que vão pincelando as nossas vidas de um negrume verdadeiramente assustador. Os políticos que na ânsia de manter o poder e a continuidade da sua prole hipotecaram o país aos senhores do dinheiro. Os economistas que nada previram e, agora, numa cacofonia desprovida de substância são incapazes de rasgar o horizonte com ideias que possam refundar o nosso sistema económico, completamente falido e os jornalistas, esses, pobres coitados são incapazes de colocar questões inteligentes, consumindo o tempo de antena com questões acessórias e artificiais. Vejamos os erros de palmatória na análise desta crise. O primeiro-ministro, trajado de gravata cinzenta (como recomendaria qualquer agência de comunicação especialista na matéria, com semblante carregado), esboça as medidas e a gravidade da situação. Escusado será dizer que no grave discurso olvidou-se dos negócios suicidas do Estado, das demenciais parcerias público-privadas que urge desmantelar, temendo o exército de juristas que já o ameaçaram de pesadas indemnizações caso avance para qualquer denúncia de contrato. O acto corajoso era avançar para essas denúncias desses multimilionários contratos e parcerias e não no corte no produto do trabalho. As medidas anunciadas irão dizimar a classe média e engolir as classes mais desfavorecidas, desmantelando, por completo o pouco que há do sector produtivo. O ministro das finanças que tem andado arredado do país, imbuído nas lides universitárias, ter-se-à esquecido que no nosso burgo, o sector mais importante é o dos serviços. A agricultura e as pescas são uma verdadeira miragem, graças aos envenenados subsídios que fomos recebendo ao longo dos anos. A revitalização da economia não passa seguramente por este caminho, traçado pelo conjunto de políticas aprovadas em conselho de ministros. Não menos constrangedor é a reacção dos partidos de direita e à esquerda a estas medidas: Os esquerdistas dizem que esta medida é penalizadora, constituindo um ataque, um roubo aos portugueses e que são necessárias outras medidas, ignorando eles e, julgo o país que outras medidas devem ser adoptadas, pois não particularizam. Os situados à direita, entendem que estas são as politicas possíveis, mas não deixam de esboçar um sorriso nervoso quando confrontados com o facto de que estas medidas serem meros paliativos para a crise. Isto para não falar de um cenário mais tenebroso: o contágio da Grécia. A mim dá-me a sensação que os membros deste governo são meros funcionários da troika, sobretudo, zelosos, cumpridores e muito obedientes ao desnorteado eixo franco-alemão. Como fui convocado para pagar a dívida eu, e muitos portugueses exigimos a responsabilização política, civil e criminal dos responsáveis por esta situação. Assim, é necessário criar mecanismos efectivos que penalizem a falta de rigor orçamental das instituições públicas, as riquezas inopinadas depois de se deixar os corredores do poder, a vassalagem aos senhores da banca e do dinheiro, a transparência dos contratos públicos e o levantamento do sigilo fiscal e bancário de todos os cidadãos. Eu, não tenho nada a esconder da minha fonte de rendimentos e creio que o comum dos cidadãos também não. Nós, os comuns dos cidadãos, pagamos a nossa parte, resta ver se os políticos terão coragem de assumir a sua quota da dívida, tornando a vida desse nicho mais transparente, cristalino e aberto. Porque da minha parte digo: Basta!