A realidade das contas públicas e as medidas de austeridade que teremos de enfrentar levantam ao PS Madeira novos desafios. Sendo certo que o resultado eleitoral obtido foi no mínimo, confrangedor, alguns dos principais desafios passam por identificar e corrigir os erros, apresentando aos eleitores um PS renovado, reformista e moderno, que possa, agora, cumprir o seu papel na oposição e alimentar a esperança de se constituir, num futuro próximo, uma verdadeira alternativa de governação. Como nestes casos, a clarificação de posições é o mais necessário,entendo ser oportuno que antes de discutir personalidades, se discutam ideias,e assim suscitam-se-me algumas perguntas e outras tantas respostas, a saber: Deve o PS Madeira ser um partido regional? Por mim penso que não. Na verdade, a política seguida, mimética ao PSD, que as anteriores direcções têm procurado desenvolver em vez de colocarem o partido no caminho da defesa dos interesses dos mais desprotegidos, daqueles que reclamam por um principio de igualdade e de direito de oportunidades, vêem-no colado a um sistema autonómico, que só responde aos interesses do partido do poder e da classe dominante. Deve o PS empenhar-se para alterar o estatuto político Administrativo da RAM? Sim. E como tal, é difícil face à maioria absoluta do PSD que o "raptou" pelo direito de iniciativa da RAM nessa matéria, deverá o PS Madeira procurar alterar o constituição por forma a que, em caso de manutenção de um estatuto Político Administrativo por mais de 12 anos, sem alterações, permita que a Assembleia da República recupere essa competência, quando não exercida pela região. Deve ser empreendida a reforma administrativa da RAM? Sim. Uma região com um poder regional que pela sua natureza está próximo da população, deverá alterar as competências e muitas das funções das Autarquias. É Igualmente necessário rever e promover uma dimensão mais adequada ao poder local. Deve o PS manter a sua organização interna tal qual se encontra presentemente? Não. O PS Madeira tem de ganhar massa critica e abrir-se mais aos eleitores, pelo que deverá agrupar de forma concelhia a sua organização. Deve ainda perceber que primeiro se devem debater as ideias em torno de moções e propostas e, posteriormente, então encontrar a sua equipa dirigente. Penso mesmo que o presidente do PS Madeira, que por norma é e deve ser o candidato a presidente do governo regional, deveria ser eleito em primárias abertas aos eleitores socialistas que se registassem e o desejassem. Deve o PS ser um partido reformista? Deve. É na capacidade de encontrar soluções e compromissos que poderá optimizar a sua intervenção. Ao PS cabe a tarefa de agir com responsabilidade assumindo, na oposição ou no poder, um discurso e uma atitude que não seja contraditória. O PS deve resistir à tentação do discurso da captação do descontentamento pelo descontentamento, assumindo-se como alternativa responsável. Deve o PS apresentar um "governo sombra" e um programa alternativo? Deve. Em primeiro lugar, deve actualizar o seu programa, ante os constrangimentos financeiros, económicos e sociais a que estamos sujeitos. Contudo, e em primeiro lugar deverá dedicar-se ao aprofundamento e estudo dos problemas e soluções que deverão ficar a cargo do Gabinete Sombra. Deve o PS ser um partido de protesto? Não. Um partido de fiscalização e denúncia, isso sim. Mas sobretudo um partido com estratégia e com propostas credíveis. Um partido comprometido com os trabalhadores, com a igualdade de género, com a igualdade de oportunidades, com a cultura, com o combate à corrupção e com o modelo social europeu. Deve o futuro presidente procurar aglutinar vontades e unir os socialistas? Uma das suas principais tarefas é essa mesmo, mas deve-o fazer clarificando posições e libertando o partido, ou seja, olhando o partido mais como partido de eleitores do que de militantes. Deve a Região ser perdoada pelos excessos e desmandos de AJJ? A RAM não deve morrer da cura que nos possam impor. A responsabilidade do PSD M e de AJJ é mais que muita, mas se a cura passa por equilibrar as contas, também tem de ser encontrada uma formula que proteja a nossa economia. O papel de interlocutor, que poderá caber também ao PS, é fundamental para garantir uma maioria social na RAM. Quer se goste disso, quer não se goste, o PS também tem responsabilidades nacionais no percurso efectuado nos últimos anos. O futuro do PS Madeira, deverá passar por, primeiro discutir e clarificar estes temas que como é consabido não merecem o consenso no seio da organização. Encontrado o "caminho das pedras", deverá ser prosseguido com a escolha da liderança responsável e ambiciosa que os tempos impõem. A verdade, a responsabilidade e o bem comum, deverão pautar as escolhas socialistas. Assim seja!

Ricardo Freitas