Os últimos meses têm sido terríveis. Aos poucos, fomos descobrindo que, neste País de que gostamos tanto, há uma imensidade de coisas de que não gostamos nada. E cada decisão política parece extremar os campos: desde o da defesa da aplicação inexorável do programa da troika, ao da defesa da renegociação da dívida, ouvimos um pouco de tudo. Em agosto, quando nos anunciaram mais impostos, a queixa era a de que se estava a resolver o problema pelo lado da receita, em vez de ser pelo lado da despesa. Agora, que sofremos mais um rombo no nosso orçamento familiar (eliminação dos subsídios de férias e 13.º mês), isto é, quando se começou a atacar o problema pelo lado da despesa, o problema é que não há incentivos à economia e ao crescimento. Finalmente, ouvimos todos pronunciarem-se sobre a inexistência de reformas estruturais e sobre a injustiça de serem sempre os mesmos a pagar. Amanhece também, em todos nós, uma sensação desconfortável: a da impossibilidade de emagrecermos o Estado sem tocar nas remunerações dos funcionários públicos, sem tocar nas prerrogativas de certos grupos profissionais e, sobretudo, sem atacar muitas das regras básicas de funcionamento das instituições públicas com que nos habituámos a trabalhar. Num certo sentido, esperamos de quem nos governa, uma solução milagrosa, que não afecte estas coisas e que, talvez por artes mágicas, nos volte a colocar no caminho da prosperidade. A meu ver, a tarefa é de uma tal enormidade e requer um tal consenso que o sucesso acabará por depender tanto daquilo que cada um de nós fizer, em sua casa e na instituição onde trabalha, como das receitas e programas que venham se ser aprovados pelo poder político. Os cortes orçamentais e as regras de execução que estão actualmente em discussão anunciam um ano de 2012 dificílimo. A Universidade da Madeira não escapará a estas dificuldades, às quais terá de responder com uma grande celeridade. Diante da dimensão do problema, iremos rever, ainda este ano, os nossos objectivos estratégicos e algumas das nossas políticas gerais, procurando adequá-los às circunstâncias actuais, claramente distintas das que vigoravam quando o último plano foi aprovado. Procuraremos, depois, fixar objectivos concretos e quantificados a cada unidade e estrutura da Universidade, que nos permitam responder a estas dificuldades com probabilidades de sucesso, para o que dependeremos muito do profissionalismo e dedicação de todos dentro da instituição. Acredito que saberemos atravessar este período com sucesso e que dele sairemos mais fortes. A nossa sobrevivência não é vital apenas para nós. No quadro de grandes restrições em que iremos viver os próximos anos, a Universidade da Madeira será, cada vez mais, o grande instrumento da Região na construção do futuro dos seus jovens, papel que, estou convencido, todos os Madeirenses saberão reconhecer.
Castanheira da Costa, Reitor da UMa