
O Povo já começou a sair à rua, a gritar, a protestar, a ser detido pela polícia - essa parte do mesmo Povo que tem por missão manter a ordem -, a dizer que está farto e a bater o pé aos representantes dos interesses económicos e financeiros, abusivamente conhecidos por governos. A indignação, um direito e reacção natural do Homem que até a nossa Constituição reconhece, já começou e preencheu noticiários em horário nobre. A monstruosidade das medidas de austeridade anunciadas, é justificação mais do que suficiente.
Ao contrário de outras manifestações e protestos, desta vez os alvos foram bem escolhidos: o poder político e, sobretudo, os centros de decisão financeira, responsáveis diários por crimes contra a Humanidade.
Mas toda esta onda de reacção tem de ter consequências. É mais do que previsível que tenha efeito eleitorais, porque é irreversível que os lideres políticos actuais, um pouco por todo o ‘primeiro mundo’ e independentemente da sua área política, vão perder eleições, mas só isso não chega. É preciso salvar a democracia e aumentar o rating do voto.
As loucuras, traduzidas em frases tristemente célebres do tipo ‘menos Estado e melhor Estado’, que conduziram à ausência de decisões políticas e à subordinação, total, ao poder económico, são responsáveis pelo estado a que isto chegou. O que precisamos, mesmo, é de mais Estado, mais forte e mais legítimo.
Em democracia, não se admite que a vontade de banqueiros e especuladores, domésticos e internacionais, tenha um ‘rating’ muito superior ao voto do Povo. E se há políticos que admitem essa subversão total da democracia, devem ser postos na rua. Tem de ser essa a consequência dos protestos, sob pena de tudo ficar na mesma e caminharmos para uma ditadura real, em que brincamos às eleições podemos dispensar ministros e transferir as pastas para as sedes dos bancos.
No meio de tanta adversidade, há um sinal positivo: os principais protestos surgiram em países com peso no 'rating' mundial, como Itália, Estados Unidos, França, Reino Unido e até na Ásia. Esperemos que continuem.
P.S. - Ver e ouvir as bancadas do PSD e do CDS, na Assembleia da República, a aplaudir, de pé, um primeiro-ministro que acaba de tentar justificar um orçamento que vai deixar em situação dramática muitos portugueses, é triste. Exigia-se um mínimo de pudor a quem vai aprovar uma coisa daquelas.