Austeridade e mais austeridade. Pelo menos nos próximos dois anos vamos ser obrigados a saber conviver com esta palavra autoritária que a maldita troika resolveu avivar do dicionário. A nossa vida vai estar condicionada. Que inferno! Os convívios da malta vai ter menos cervejadas e o macarrão vai levar menos carne. As sapatilhas e o fardamento das peladas vão ser de marca branca. Se calhar não vamos poder ir tantas vezes à bola. O IVA vai aumentar o preço dos bilhetes. Os estádios vão ficar ainda mais vazios. Os clubes vão ter menos receita. Meus Deus, a que tempo chegámos. Estamos a dar passos para trás. A minha vida não estava planeada para o regresso ao passado. Já tinha dito ao meu filho, tem 14 anos, que a vida dele agora era uma "peluda", que nada tinha a ver com a minha infância. Já lhe tinha falado desse tempo difícil. Das jogatanas com bolas de "visgo" na rua, com intervalos para deixarmos os poucos carros passar. Das botas de "atanado" que duravam a época inteira aos pontapés na bola e nas pedras e levavam meias solas para a época seguinte. Passei-lhe todas estas e outras histórias, convencido que esse tempo não voltava mais. Se calhar enganei-me. De repente, tudo parece querer voltar a esse tempo de dificuldades. As famílias vão ficar com menos dinheiro. Sem subsídio de Natal, acabaram-se os presentes de bolas de marca para oferecer aos pequenos na festa. Vão voltar as bolas baratas de borracha. As ruas vão voltar a ser campos de jogos, porque não vai haver dinheiro para alugar os polidesportivos. Estou a dramatizar? Talvez, mas não creio. A coisa está preta. Isto agora é a sério! Estou preocupado que Portugal e a Madeira voltem para o terceiro Mundo, cheio de desempregados e muita fome! Como vai sobreviver a geração do "tudo feito", da net e seus derivados? Vão saber fazer sacrifícios? Temo que não, porque a maioria desta juventude não sabe o que é a vida, a dura! Estou preocupado mas também indignado! Mas afinal quem são os responsáveis por este retrocesso? Por todos estes buracos? É preciso apurar e castigar severamente! Mas não tenho muita esperança que isso aconteça, porque a justiça há muito que foi de férias, se calhar com o subsídio de milhares de Portugueses que agora ficam sem direito aos extras nas férias e no Natal! Exijo que prendam os culpados!! Não admito cumprir uma pena, por um crime que eu não cometi! Não quero voltar a jogar com uma bola de "visgo"!
Mario Gouveia, Jornalista