Parece que a crise está em tudo o que mexe! Basta abrir um jornal, ligar um televisor ou um aparelho de rádio e o que mais se ouve, vê ou lê são cortes, austeridade, mais cortes, mais austeridade. Na saúde, na educação, nos bolsos, no desporto… Mas nesta última vertente existe um aspeto onde a austeridade, dificilmente, vai ter lugar: na MOTIVAÇÃO que as crianças possuem para a prática desportiva. Essa capacidade, por norma, resiste a qualquer plano de austeridade. Mas, de onde é que eles (planos de austeridade) podem advir? De muitas "troikas": podem vir dos clubes que pouca importância dão aos seus jovens e crianças exceto quando algum caneco é colocado nas vitrinas; podem vir dos treinadores que, pensando no seu "futuro" futebolístico, tudo fazem para mostrar "resultados" e assim procurar subir mais uns degraus; podem vir dos pais que levados por frustrações, ou pela ilusão de ter uma "vedeta" em sua casa, auguram-lhe um futuro auspicioso e desde logo tudo fazem para tornar o (seu) sonho realidade. No entanto, apesar de todos estas formas de "austeridade", a motivação que as crianças possuem, não apresenta "cortes" nem perdas de direitos adquiridos. Mantém-se tudo como antes. Continuam a viver cada momento com o prazer que é devido, com a alegria de poder desfrutar de cada passe, cada remate, cada golo, procurando, tão-somente, ser criança. Procurando passar "ao largo" de toda a "austeridade" que lhes colocamos, tendo apenas a preocupação de lidar com os "constrangimentos" que o jogo lhes coloca. E assim elas (as crianças) são felizes. Talvez tenhamos muito a aprender com elas. Se calhar o primeiro caminho é, abolir toda e qualquer forma de "austeridade". O segundo, provavelmente, poderá ser o simples observar, em silêncio, de um jogo de crianças.
Paulo Fernandes - Professor