1. O português do continente não compreende a «Madeira nova» nem lhe perdoa o desvio de milhões detetados no famigerado buraco que todos já estamos extenuados de ouvir falar. Pela "capital do império" é cada vez mais recorrente ouvir as graçolas da praxe, agora mais enfáticas e a bold, sobre os desvarios do «senhor» da ilha. A «Madeira nova» gastou o que tinha e o que não tinha e o seu timoneiro colocou-nos em apuros perante as entidades internacionais. Afinal, Portugal tinha um «filho rebelde», travesso e barulhento, mas com «podres» escondidos debaixo do tapete. A fatura chega nas próximas 24 horas e para ser paga por todos, em severas prestações mensais durante, pelo menos, dois anos. Como madeirense não me tenho conseguido safar do azedume que trespassa as palavras de muitos dos nossos compatriotas. Sinceramente, também não encontro justificação plausível e convincente para o apetecido contraditório. Nem vale a pena aludir à divida dos municípios ou das empresas do setor empresarial do Estado. A dívida da «Madeira nova», dizem os governantes daí, está à vista. A esta distância não se fica com essa impressão. As imagens, frias, com muito betão a ilustrá-las, mostram-nos campos de futebol em tudo o que é sítio, uma marina ao abandono, sociedades de desenvolvimento que são autênticos sorvedouros de dinheiros públicos, etc. Já se disse e escreveu tudo (será?) sobre o colossal calote oculto. Independentemente do que se possa argumentar em defesa do que não tem defesa é que quem vai pagar é o povo madeirense, por causa da classe política que o governa. Sei que essa classe é intolerante à crítica, intransigente ao pensamento diferente, e que é sucessivamente eleita há três décadas. Mas isso não a devia tornar irresponsável. Antes pelo contrário. O desmazelo financeiro de anos a fio vai sair muito caro quando todos perceberem que vão ter de mudar de vida e alterar rotinas. Diz quem sabe que "em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão." Infelizmente esses tempos estão próximos. Os madeirenses acabaram de renovar a confiança na maioria de sempre. Não importa se por muitos, se por poucos votos. Cabe aos partidos e em especial ao Partido Socialista fazer essa análise. Ao fim de todos estes anos não aprendeu rigorosamente nada. Definitivamente não consegue falar à alma do povo. Ninguém se revê neste PS, ponto final parágrafo. Adiante. 2. A fat tax está em voga. Muitos fiscalistas têm defendido a introdução desta taxa que tributa os alimentos não saudáveis, com maior incidência nos que apresentam maior percentagem de gordura. O objetivo é pôr os consumidores a adotar boas práticas alimentares, reforçando o financiamento público para o tratamento de doenças associadas a tais ingredientes prejudiciais. Numa conferência recente ouvi uma oradora referir-se aos benefícios deste imposto e lembrei-me logo das vantagens dos dirigentes da «Madeira nova» o acolher, de braços abertos. Seria saudável, prático e mais económico. Poupava-se males maiores até no Serviço Regional de Saúde e arrecadavam-se mais umas receitas, tão necessárias aos cofres insulares. Ironias à parte esta Madeira moderna e agradável viveu e vive acima das suas possibilidades. Há investimento público que teve de ser feito para dar dignidade a muita gente e possibilitar o desenvolvimento económico. Mas o governo gastou à tripa-forra, e todos podemos questionar - é legítimo e saudável - o porquê de tantas opções erradas que vão prejudicar gravemente todos sem exceção. Não adianta agitar bandeiras separatistas, evocar a maçonaria ou a opus dei e tentar calar a imprensa. À volta de todas estas questões há um sentimento de impunidade generalizada. O regime forçado vai começar em breve. Oxalá o doente não morra da cura. *artigo escrito de acordo com a nova grafia
Roberto Ferreira