Um governo que em 30 e tal anos não foi capaz de fazer contas aos seus gastos e calotes e que de repente apresenta contabilidade alheia equipara-se a um governo que gasta 10 horas para definir a versão final de um documento catalogado de 'Orçamento'. Ambos devem muito à competência. Mas o pior é que estes executivos siameses, dados a estranhas demoras e mentiras convenientes, maltratam o povo a quem pediram o voto, como se a legitimação dada para que possa haver um futuro decente pudesse ser usada para outros fins, alegadamente financeiros, de satisfação de credores internacionais ou de compromisso com directrizes a quem foi vendida a soberania. A coligação de vontades para dar cabo, e depressa, dos direitos adquiridos dos portugueses do continente e das ilhas com autonomia suspensa, da sua já duvidosa qualidade de vida e da dignidade humana revela incapacidades preocupantes para governar num contexto de crise. Percebe-se que nada é decidido em favor de quem mais sofre na era da sobrevivência. Que os 'timings' do aperto são claramente eleitorais, para não afectarem o sufrágio de 2015. Que as exigências feitas para efeitos de superação da crise abusam do esforço alheio, salários e pensões, mantendo intactas regalias absurdas, máquinas pesadas e opções criminosas. Governantes incapazes de controlar o défice que outros criaram, que se excedem por não saberem ler o guião emprestado pela 'troika' e que confundem um ou outro prevaricador com gente honesta e determinada, nem para prestar os primeiros socorros servem. O que se sabe deste governo de "emergência nacional" revela défice de bom senso e, pior, uma rara determinação de ter um Estado sem povo e sem economia. A crueldade da medidas irá provocar mais recessão, desemprego, evasão fiscal, emigração, corrupção, fuga de quadros qualificados, assaltos e fome. Um caos com consequências porventura pacíficas, tal a fragilidade da indignação. Cabe-nos contrariar o destino. De um amigo digital chegou-me por estes dias a frase filosófica atribuída a Platão que deveria fazer Passos pensar e ajudar Jardim a apressar a reflexão: "O que faz andar o barco não é a emproada vela, mas o vento que não se vê!". José Manuel Rodrigues - Líder do CDS-PP na Madeira O líder da nova oposição prefere governar a partir do 'exílio'. A opção por ficar na AR é polémica. Mas tem vantagens. Ajuda a decidir com lucidez. Prescindir de 30% do 'jackpot' é o primeiro sinal de que não se deslumbra com resultados. Paulo Barreto - Ex-Delegado da CNE Fez mais pela legalidade do acto eleitoral do que todos aqueles que têm responsabilidades nessa matéria, caso do Representante da República. O empenho não evitou a batota mas os madeirenses devem estar gratos aos alertas que deixou. João Isidoro - Líder do MPT Apesar de eleito, não vai ocupar lugar na ALM. Mesmo assim, está disponível para trabalhar no seu partido em regime 'pro bono', pelo menos até às eleições autárquicas. A generosidade devia ser sempre consequência efectiva de resultados. Passos Coelho - Primeiro-Ministro Não é com desculpas ternurentas que reforça a legitimidade para governar. Tem andado a impor aos portugueses, sempre contra os mesmos, sacrifícios que prometeu não aplicar. Como revela não estar com o povo, adivinham-se tumultos. Alberto João Jardim - Líder do PSD-M Ganhou as eleições com maioria e deu cabo de outras pretensões. Com a vista cansada e sem mão na militância alucinada, prepara-se para governar sem dinheiro. Por isso, demora-se na reflexão. A ingratidão do PSD de lá e cá a muito obriga.
Estranhas formas de socorro
O governo de emergência nacional é especialista em maus tratos