No dia 13, que só por acaso não era uma sexta-feira, o primeiro ministro deste Portugal, cada vez mais pobre e deprimido, anunciou novas medidas de austeridade. Sem surpresa, a lógica governativa e liberal de Passos Coelho voltou a castigar os mesmos. E os mesmos são o povo que trabalha, que luta para chegar ao fim do mês com dignidade, que faz o que pode e não pode para pagar as contas, que sobrevive a custo.

Foi este povo que ficou a saber que para o ano não pode contar com o subsídio de férias e de Natal. Dois direitos conquistados e que, ao contrário do que pensam os que mal nos governam, não são um luxo. Para a maioria das famílias, estes subsídios servem para equilibrar salários de miséria, para criar algum desafogo,

Mas é claro que Passos Coelho acha que quem ganha mil euros é rico e pode perfeitamente dispensar essas "mordomias" de trabalhar 12 meses e receber 14.

Passos Coelho pensa assim porque, graças ao seu PSD, nunca soube o que era trabalhar, nem ter de gerir um ordenado que mal dá para os gastos. Passos Coelho nunca ganhou mil euros, A sua vida profissional resumiu-se a ser líder da jota, da qual saiu para fazer um curso aos 30 anos e de onde saltou para gestor de uma empresa.

Agora é primeiro-ministro e fala do alto de uma espécie autismo sempre direccionado aos mesmos. Aliás, foi com a mesma lata que, horas depois de ter anunciado a sua austeridade, deu uma entrevista ao 'Expresso' na qual confessa que, em seu entender, não tem de pedir desculpa aos portugueses pelas decisões que tomou. Declarações que, quanto a mim, só fazem sentido se Passos Coelho estiver consciente de que não pede desculpa porque não tem perdão.

Não tem perdão porque carrega nos mais fracos, não tem perdão porque enganou, não tem perdão porque está a fazer hoje muito pior do que criticou quando ainda não ocupava o lugar que ocupa. O homem que chumbou o PEC IV e que fez cair o Governo por isso, com o argumento de que não era possível carregar ainda mais num povo já sacrificado, faz o tal PEC e o tal governo parecerem meninos de coro quando comparados com a sua política de austeridade.

Mais grave ainda, é a séria convicção que todos temos de que isto não fica por aqui. Com a capacidade inata que Passos Coelho e Vítor Gaspar têm de serem surpreendidos pela realidade do país que governam, é só dar mais um tempo para novas medidas e novas explicações cheias dessa urgência de salvar economicamente o país, mesmo que matando à fome quem nele vive.