Perante a falta de alternativas face à crise, a cultura pode apresentar-se como uma plataforma sustentada de transformação social e a criatividade como uma ferramenta importante nesta conjuntura. Aldous Huxley dizia que "na ausência de boa gestão, podemos apenas rezar pela sorte". Eu acredito que devemos ir atrás da sorte. Existem muitos exemplos de sucesso em alturas de crise. Vejamos o caso do cinema: os filmes falados surgiram em 1927, quando começava a "Grande Depressão" nos Estados Unidos. Numa altura onde as pessoas reduziram as despesas em pequenos luxos, os cinemas reinventaram-se com novas estratégias: ofereciam dois filmes pelo preço de um bilhete, incentivando a produção de filmes baratos de Série B e curtas-metragens. Através de parcerias com restaurantes e outras empresas, fizeram sorteios de prémios para quem ia ao cinema, incentivando assim outros pequenos comerciantes. As crises podem ser oportunidades de crescimento se conseguirmos pensar de forma criativa. Algumas grandes empresas tiveram origens humildes. A Apple começou na garagem de um jovem de 21 anos chamado Steve Jobs. Em 1985 foi forçado a abandoná-la e nessa altura adquiriu o Graphics Group da Lucasfilm, convertendo-o naquilo que agora conhecemos como a Pixar. Depois disso ainda vieram os iMacs, os iPads e os iPods - ele era um empreendedor que vivia no futuro e viu oportunidades onde ninguém mais as via. Talvez precisamos um pouco mais desse tipo de mentalidade actualmente.
Roberto Macedo Alves