Educar é transformar. E tanto nos transformamos na escola como no clube, em casa como no grupo de amigos, na internet ou a ler um livro, a ver um filme ou um documentário, etc. Para que o processo educativo tenha uma coerência global, de forma a que seja rentável é necessária a articulação (directa ou indirecta) entre os diferentes intervenientes, nomeadamente, professores, treinadores, alunos/desportistas, pais. Os pais são (não vão à escola ou ao clube, não sabem o que os filhos fazem ou deixam de fazer) e aqueles que querem que os filhos sejam aquilo que eles nunca foram, que sejam alunos/ desportistas de excelência… A título de exemplo, será que o treinador articula o planeamento de treino com o desportista e com os seus pais? Será que mesmo não o fazendo directamente, tem em consideração as alturas em que o desportista está mais normalmente enquadrados em dois extremos. Aqueles que não ligam ao processo e não assumem responsabilidades sobrecarregado com avaliações ou outro tipo de compromissos? É que se não o fizer, corre-se o risco do desportista nem rentabilizar o estudo, porque está cansado, nem recuperar convenientemente do treino porque em vez de descansar tenta estudar. Serve a quem este "autismo do treinador"? Dirão alguns: mas cada um dos desportistas tem testes em dias diferentes, não é possível ter em conta os condicionalismos de cada um! Será verdade se o treinador se limitar a reproduzir as suas experiências enquanto desportista, as receitas que "bebeu" de algum guru, ou de algum professor/curso universitário que ainda viva no empirismo lógico (porventura a maioria) … Porém, se em vez de ser reprodutor de experiências (suas ou de outros) se assumir como produtor de desporto, em que o processo de treino é personalizado, então é possível considerar os diferentes condicionalismos. Contudo, ao contrário do que muitos dizem, não basta ter bom senso, embora dê alguma ajuda, é necessário conhecimento e competência, só que isso dá trabalho, muito trabalho (mas pode também dar gozo a quem tenha uma capacidade, hoje fundamental, o sentido "de jogo"). Não basta exigir que alunos e desportistas se esforcem e trabalhem para conseguir rentabilizar as suas capacidades, é também necessário que treinadores e professores se esforcem e trabalhem para não ficarem cristalizados no tempo. Não basta, por isso, ter um canudo (da federação ou da universidade) e serem espectadores passivos de algumas acções de formação, que independentemente dos galões dos prelectores, na maioria das vezes, mais não fazem do que dar créditos para progredir na carreira. Haja decoro.
Hélder Lopes, Professor universitário