Todos os dias encontro pessoas que me vêm dizer que os tempos estão difíceis, que as coisas já não são como eram, que os turistas não gastam dinheiro. Reunidos, os lamentos fariam chorar as pedras da calçada. Numa primeira fase, esta postura incomodava-me, por achar que era uma postura muito passiva do que deveria ser uma qualquer actividade. Depois, porque achava que as pessoas não estavam, realmente, a ser muito objectivas. Sim, estamos pior do que estávamos há um ano. Mas estaremos realmente pior do que estávamos há dez anos, ou há vinte? Objectivamente, tendo em conta o que se ganhava há 20 anos, comprava mais, ou menos, ou o mesmo do que o que ganhamos hoje? É verdade que acho que a Madeira caiu na armadilha de procurar aumentar o volume: é sempre a solução mais fácil, achar que uma mesma fórmula funciona para 10, 20 ou 30 mil. Um raciocínio um pouco mais sério, levará a concluir que quem procura um destino de 10 mil, pode não querer - aliás, provavelmente não quer - um destino de 30 mil. E aí perdemos quem pagaria por um destino de 10 mil. E a consequência é ver angariadores em todas as ruas, a arrastar clientes - turistas incautos - para ver apartamentos em time share, para comer uma refeição, para usar um táxi. E se a choradeira já existe agora, nos próximos anos só vai tender a crescer. Vai deixar de haver dinheiro para promover o destino, e vai deixar de ser possível pagar incentivos aos transportadores aéreos para voar para a Madeira. Como a concorrência vai sempre aumentando, e melhorando, vamos ter progressivamente menos clientes a preços interessantes, e cada vez mais em saldos. E cada vez vamos chorar mais, e cada vez mais seremos mais a chorar. Espero que não de fome. Mas certamente de saudade. Porque muitos teremos de deixar a Região. Agradeçam à irresponsabilidade do Dr. Jardim…
Roberto Loja- [email protected]