Diana Rodrigues Reporto-me à notícia de 12.Out. "Reintegração de deputados custa milhares à ALM". A meu ver, os deputados são cidadãos portugueses como os outros. Quando saem da assembleia, seja porque razão for, há várias hipóteses, regressam ou passam a dedicar-se a tempo inteiro à actividade/emprego que suspenderam ou reduziram, reformam-se ou ficam desempregados. Para se poderem reformar deveriam estar sujeitos às mesmas regras de todos nós, nomeadamente anos de descontos e idade mínima. Não se percebe, de todo, porque é que um deputado se pode reformar aos 55 anos? Então e o resto dos portugueses que têm de esperar pelos 65 anos (ou mais!)? E não vale a pena dizerem que não é "reforma", mas sim "subvenção vitalícia"! E também não se percebe porque é que têm direito a esta "subvenção vitalícia" ao fim de apenas 12 anos de actividade. Então e o resto dos portugueses, que têm de descontar à volta de 30 anos?! Se calhar é porque a "profissão" de deputado tem maior desgaste, como os polícias, por exemplo. E isto, apesar de terem mais férias dos que os meninos do ensino básico, e um horário de "trabalho" de fazer inveja a quem trabalha em part-time. Um deputado, quando deixasse de o ser, deveria estar sujeito às mesmas regras que o resto da população. Se não tivesse emprego, deveria ter de pedir subsídio de desemprego e inscrever-se no Centro de Emprego, para ver o que é bom para a tosse. E o período durante o qual tivesse direito ao subsídio de emprego seria limitado, tal como é para todos os outros portugueses desempregados. Se ficasse muito aflito, poderia requerer também o rendimento mínimo, ou ajuda para a renda, ou mesmo acção social para os filhos. E quando precisasse de médico podia ir até ao Centro de Saúde, e, de preferência, recorrer à consulta de recurso. Porque será que os deputados têm todas estas regalias que os outros cidadãos não têm? A resposta é muito simples: porque são eles que fazem as leis e, pelos vistos, tiveram o cuidadinho de legislar de maneira a nunca ficarem desamparados. É das maiores vergonhas que este país tem. Se os deputados se preocupassem um décimo com o bem-estar dos cidadãos o quanto se preocupam com o seu próprio bem-estar, os portugueses andariam bem melhor. Estes balúrdios a que os deputados "têm direito" é um escândalo, e, no actual cenário económico, absurdo. Quem fez e aprovou estas leis, e quem, podendo acabar com elas, não acaba, devia andar de cara tapada. E nós, população, que permitimos este estado de coisas, também.