Todos sabemos o quanto o Turismo depende do Transporte em condições adequadas de conforto, segurança e preço pois só com ele há lugar á deslocação que é a base do fenómeno turístico. A questão é tanto mais relevante quando se trate de uma ilha cabendo aqui falar quase em exclusivo do transporte aéreo se a mesma estiver a milhas de distância dos centros geradores de tráfego turístico como é o caso da Madeira. Vem isto a propósito de uma notícia recente em que um jornalista deste órgão de informação reportava a 3 de outubro p.p. que haveria menos 27 voos «líquidos» por semana para a Madeira no próximo inverno (menos 40 voos de linhas existentes e mais 13 de novas linhas).E que o mais alto responsável do Turismo na Região desvalorizava afirmando que havendo ainda lugares disponíveis na oferta sobrante haveria ainda um potencial a preencher. Infelizmente as coisas não são assim tão simples e uma ocupação média a 100% é praticamente impossível de atingir, quer na hotelaria quer nos transportes, excepto em períodos muito pontuais ou nos chamados «picos» do ano. Ou seja, a perda de oferta de transporte é grave e significa abandono de rotas não rentáveis por falta de ocupação razoável ou, melhor dizendo, por falta de procura. É disso que se trata quando se fala desta evolução desfavorável, ou seja, da perda de competitividade do destino por falta de promoção adequada ou por desajustamento entre a oferta e a procura, ou das duas, em simultâneo. Em lugar de desdramatizar o óbvio analise-se antes porque se atingiu o máximo de hóspedes/turistas estrangeiros em 2008 (933.011) e dos nacionais em 2009 (283.080) e a partir daí foi sempre a descer, com uma recuperação de janeiro a julho de 2011,é certo, mas não suficiente para igualar o máximo atingido. Aliás, é curioso observar que as grandes quebras registadas se manifestam nos mercados nacional, alemão e inglês sendo que no primeiro caso não se conseguiu alavancar a solidariedade subsequente ao pós-20 de Fevereiro em visitas á Madeira para conhecer a realidade do arquipélago e das suas gentes. Ao contrário, a crispação que se vive no relacionamento Região-Continente muito por culpa da falsa dicotomia entre povo madeirense e continental alimentada pelos mais altos responsáveis regionais não será de molde a atrair as boas consciências e a motivação para uma viagem á Pérola do Atlântico. E falar-se de novos mercados de substituição como a França só faz sentido se o volume compensar, o que não é o caso, pois a oferta não estagnou no período levando a que a taxa de ocupação tenha diminuído de 64,4%, em 2008, para 56,9%,de Janeiro a Julho do corrente ano…(54,3% em 2010). Quando se sabe que o REVPAR na Madeira é dos mais baixos do país a quebra de ocupação só pode resultar em menor rentabilidade e perda de competitividade no futuro. Por isso, a pergunta é pertinente, desdramatizar, como diz a responsável citada, ou encarar de frente esta nova realidade mesmo que menos favorável e onde as festas e eventos como instrumento dominante da promoção devem ser repensados?

Nuno Jardim Fernandes, Gestor