Ser Município da Cultura pressupõe, não só arcar com a honra mas também com a dignidade que tal distinção impõe. Mas não. Suas excelências, lá do alto do seu poleiro, põem e dispõem a seu belo prazer deste e de outros títulos, sem o mínimo respeito pelo cumprimento das suas funções. Foi o que aconteceu em Machico. Ninguém do município pôs lá os pés. Nem mesmo tratando-se da XXVI edição de um evento regional. Isto repete-se e repete-se e talvez não fosse má ideia começar a pensar a cultura sem esta gente. Somos uma terra de turismo e só na área musical, há mercado para termos dezenas de grupos a actuar para quem nos visita. Vêm para conhecer a nossa alma e pagam para isso. Pagam e nós podemos rentabilizar o mesmo show por muito tempo, porque os turistas são sempre diferentes. Distinguem e valorizam muito bem o que é genuinamente madeirense. Levam consigo a mensagem e promovem mais a região do que vinte "Marítimos", todos juntos. Pergunto mesmo, de que estão á espera os grupos das zonas rurais para, nos seus locais explorarem este nicho de mercado. Enquanto isto, a RTP Madeira qual satélite de um qualquer magnata que a sustenta, vem sistematicamente penalizando a cultural regional em notório benefício do futebol profissional. Talvez agora, sem magnata, comecem a dar atenção e a promover as actividades que no futuro as possam vir a sustentar.

Eurico Martins, Orquestra de Bandolins da Madeira