Trago-vos uma pequena reflexão sobre livros... É delicioso ter um livro nas mãos, sentir o seu cheiro, a textura, o tipo de letra escolhido e que por sua vez torturará as janelas da nossa alma alguns minutos por dia. No entanto, reconheço que os livros electrónicos têm as suas vantagens quanto ao preço, peso e portabilidade. Porém o seu formato digital não detém cheiro, textura "sabor" no transporte. O facto é que poderei manter a minha biblioteca, sentir o cheiro dos livros, a sua textura e a ouvi-los, a cada um, durante as horas vagas, a chamar por um novo leitor, ou por um que já o conhece e apenas deseja rever, rememorar, divagar e falar com as suas páginas, passando os dedos sobre a tinta gasta a cada revirar de folhas. É bom ver os livros, após a sua exploração, descansarem na madeira clara do quarto, numa escuridão que só o livro conhece, pó a pó, até à próxima viagem a um novo leitor, ou quem sabe, ao antigo conhecido…um regresso às mãos. Já o livro electrónico, um simples apagar manda-o para a reciclagem e nem rasto dele. Não lhe foi dada a oportunidade de viver fora de um ecrã, sentir diferentes toques, diferentes mãos, muito menos lhe foi proporcionado um envelhecimento, cujas "rugas" seriam o amarelecimento das faces. Será muito diferente de ter um telemóvel? Cai ao chão, parte-se. Cai à água, avaria certa! E a sua "esperança média de vida"? As folhas de um livro caem, amarelecem, ganham o cheiro da velhice ou da viuvez de uma ou outra página. No entanto, esse livro estará à cabeceira de uma cama ou numa prateleira de madeira loura…simplesmente disponível ao primeiro ou último toque do dia ou da noite, sem se apagar como ficheiro, sem incompatibilidades ou problemas com a bateria do suporte e sem problemas de roubo com prejuízos maiores. Pacífico, brando…aguardando.
Fernanda Castro, Aluna da UMa