Está aí o novo ano. Carregado de interrogações e de pessimismo excessivo. Famílias e empresas desesperam por dias melhores. O dinheiro anda escasso, a economia estagnou e os nossos políticos desculpam-se com a propalada crise financeira mundial, para justificarem o fracasso que as suas decisões estão a ter na vida dos pobres e sacrificados contribuintes. Na capital da metrópole as lojas das principais catedrais de consumo enchem-se ao fim-de-semana de turbas de «salteadores» de produtos em saldos. Os restaurantes da moda continuam a registar uma grande afluência de ávidos comensais e os aviões para o Brasil continuam lotados. Na verdade, esta crise é um paradoxo. A Madeira não está à margem e 2010 foi um «annus horribilis» para a economia regional. O principal motor - o Turismo - deu sinais de enfraquecimento, fruto das tempestades que assolaram o arquipélago. Em convívio de amigos muitos me perguntam o que podem fazer na Madeira, quando o céu está «forrado» e chuvoso? Lá vou respondendo, com alguma dificuldade, enumerando alternativas que me vêm à cabeça. Madeira rima com clima ameno, com sol bondoso, com passeios, com mar calmo e tépido durante quase todo o ano. E muito mais há para oferecer. Provavelmente um forasteiro que visita a Região desconhece o que tem para fazer. Por pura falta de divulgação. Onde está a promoção à Madeira rural, à ilha das levadas, dos jardins, dos parques, dos museus, das quintas fantásticas e do turismo na natureza? Há uns anos atrás, a Câmara do Funchal disponha de um serviço de apoio ao turista, relativamente bem organizado, para visitas à cidade. Desconheço se continua a funcionar. À escala regional não sei o que se promove. Certo é que quase nada chega à vista dos que vivem no «rectângulo», excepto dos habituais frequentadores de feiras que promovem destinos, como a anual BTL. Há poucas «embaixadas» insulares na capital do país. Promove-se muito pouco os produtos regionais por estas bandas. E o que se faz na Internet? Nas redes sociais, tão em voga? Um produto de qualidade como a marca «Madeira» tem de ter uma divulgação à altura, também ela distinta e reputada, em suportes credíveis e direccionados. Fazer acções pontuais em jornais e revistas, por sinal cada vez menos lidos, não é suficiente. Mesmo o mais saudoso ilhéu que se desloque ao supermercado de um conhecido empresário madeirense, no Campo Pequeno ou a um restaurante típico, existente nas Amoreiras, fica desolado (para ser meigo). O primeiro é uma imagem frouxa e cara dos produtos regionais. O segundo perdeu a aura dos primeiros anos. Já agora, que é feito da Casa da Madeira em Lisboa, inaugurada em 2007 com tanta pompa e circunstância, num dos bairros mais selectos da capital? Sinceramente, desconheço-lhe qualquer actividade. Há conceitos simples, baratos e criativos que marcam a diferença. É óbvio que neste esforço o papel dos empresários é determinante. O sucesso do destino turístico é também o sucesso deles. No momento em que escrevo esta crónica encontro viagens aéreas para a Madeira a preços acessíveis. Mas o site onde faço a pesquisa não me dá mais nenhuma informação sobre o destino… Pior, o Turismo da Madeira no Facebook regista apenas 364 aderentes (quarta-feira, 5 de Janeiro). A realidade actual é esta e não há volta a dar: tudo o que se passa, passa na rede. Quem não está lá, pode considerar-se excluído. As pessoas querem como nunca informações rápidas, just in time. Já não toleram esperar por uma demorada resposta a um simples pedido de esclarecimento, via e-mail. Não me queres adicionar, Madeira? Não tenho dúvidas que um número enorme de novos turistas vão «gostar disto».
Roberto Ferreira