Lembro-me com demasiada frequência de um conselho que o presidente do PSD-Madeira deu há uns anos aos jovens social-democratas, numa iniciativa da JSD-Madeira. Disse então Jardim qualquer coisa como isto: temos de ser uma máfia no bom sentido. Percebi o sentido figurado e daí não vem mal ao mundo. No fundo, é isto: temos que ser uns para os outros. Mas temi, e continuo a temer, atitudes e comportamentos daqueles que optaram pelo sentido literal daquela expressão. Voltei a lembrar-me dessa frase, ontem à tarde, quando me alertaram para o conteúdo de uma informação colocada no site do Club Sport Marítimo. Que não é mais do que um descarado apelo ao voto em Cavaco Silva, mal disfarçado de honrarias para o Clube. Simplesmente vergonhoso! Se o presidente do Marítimo quer assumir a sua preferência política, tem toda a legitimidade para o fazer. O que não pode, de forma alguma, é vincular o Clube e os sócios a uma decisão dessa importância. Certamente, como se pode ler no DIÁRIO de hoje, esta estranha opção do presidente do Marítimo não agrada, nem podia agradar, a outros dirigentes responsáveis, como é o caso de Jorge de Freitas. Também ele um maritimista, também ele dirigente do Clube, também ele social-democrata com funções políticas de topo e também ele surpreendido com o comunicado que mistura política com partidos. Acredito que muitos adeptos, simpatizantes e sócios se revejam na mesma declaração e se considerem honrados por Cavaco Silva fazer parte da comissão do Centenário do Clube. Estão no seu direito. Da mesma forma que muitos deles, mesmo sendo simpatizantes do Presidente/recandidato, terão dificuldade em perceber a razão deste estender da carpete laranja a quem nem dela precisa. Imagine-se o que não seria se Leonel Nunes, outro reconhecido maritimista, fosse - por mera hipótese académica, porque o PSD nunca o deixaria! - presidente do Marítimo. E, nessa condição, fizesse o mesmo com Francisco Lopes. Ou André Escórcio a usar a mesma técnica com Manuel Alegre. Seria o fim dessas direcções hipotéticas e com razão. Isto de sermos uns para os outros, da máfia no bom sentido, tem que se lhe diga. Há limites mínimos que têm de ser cumpridos. Há regras e se não as houver, deverá prevalecer ao menos o bom senso. Mas não. O que se nota neste caso é um servilismo bacoco, um provincianismo atrasado, uma vaidade pueril e sem sentido. Cheira a revanchismo e a uma tentativa saloia deste presidente do Marítimo de ultrapassar o do Nacional que, num ataque sem precedentes e igualmente vergonhoso, anunciou guerra aos partidos da Oposição. Volto a citar o presidente do PSD, agora num Congresso do partido ao nível nacional: “Isto está tudo grosso?”. Estas atitudes rasteiras não são mais do que isso mesmo: rasteiras para enganar incautos. Para confundir um candidato com o Clube. É a velha técnica da manipulação de massas. A questão que se coloca é para quê? Que necessidade tem um Clube respeitável como o Marítimo de se sujeitar a esta colagem? Nenhuma! Um clube com a história do Marítimo merece bem melhor.