Muito se discutiu nos últimos dias a decisão do Governo dos Açores de criar um mecanismo de compensação remuneratório a parte dos funcionários públicos afectados pelo corte de salários determinado pelo OE 2011, havendo basicamente duas correntes de opinião: uma, a que considerou a medida absolutamente genial e o exercício legítimo de um poder e competência própria da autonomia político-administrativa; outra, que a tomou por um lamentável exemplo do mais básico populismo político, sustentado em argumentação demagógica e chico-esperta, para além de uma evidente falta de solidariedade com o todo nacional. Independentemente do juízo que incide sobre a opção política tomada, e cada um é livre de ter a opinião que entender, a questão que se deve colocar é outra: porque é que, em outras alturas, confrontados com a possibilidade de aprofundarem as suas competências, optaram antes por não o fazer? Porque é que, quando a hipótese surgiu, não quiseram os Açores fazer como a Madeira e assumir competências que eram exercidas pelo Estado, como nos domínios da administração da justiça, dos registos e notariado, ou mesmo na administração tributária? A resposta parece evidente: porque é muito mais fácil viver à sombra do Estado (e do respectivo orçamento) do que fazer-se à estrada e tomar os problemas em mãos, assumindo as suas responsabilidades, para o bem e o mal. A não ser quando se trata de dividir sacrifícios por todos. Aí, nada como ser autonomista e evitá-los. Os sacrifícios, claro.
Nuno Teixeira, Eurodeputado do PSD-M