Deixei passar de propósito o acto eleitoral do domingo passado para dizer-lhe como estou. Triste e irritado!! Não pelo resultado final até porque de outra coisa não estava á espera,não pela surpresa protagonizada por José Manuel Coelho, mas pelo simples facto do número final da abstenção. Continuo sem perceber como é que uma Nação pode estar tão desinteressada do seu destino, seja ele numas eleições presidenciais seja em autárquicas ou para o parlamento europeu! Aceitamos regras e leis de um jogo que não faz sentido(a não ser para alguns) e ficamos impassíveis e acríticos, como se nada fosse connosco ou não nos afectasse. Colocamos deputados no Parlamento e Assembleia da República, no Parlamento Europeu, presidentes da República em Belém e continuamos com a grande maioria de eleitores registados, acrítica e sem intervenção na sua esfera de competência…o voto. Com tristeza digo que somos uma Nação com um sentido de cidadania infantil neste capítulo…a responsabilidade das nossas vidas é sempre transferida para outros, que nem miúdos de 5 anos em fuga depois de uma qualquer patifaria cometida! Mesmo com a asneirada do sistema informático oficial verificada que e só por estarmos em Portugal, valeu por parte do ministro Rui Pereira um …desculpem lá a porcaria que aconteceu nestas eleições e na próxima há-de correr melhor…, mesmo com a chuva e frio que assolou o País, nada…mas nada, justifica 52,5% de abstenção total!!! Ou melhor…justifica. Justifica que mais de metade de uma Nação que não sabe o quer nem o que não quer! Justifica que mais de metade de uma Nação acrítica não tem o direito de á posteriori manifestar-se sobre nenhum assunto que diga respeito ao País! Justifica que mais de metade de uma Nação que apesar de aparentemente dizer que tudo está mal como está…não vota para nada!!!Nem para mudança nem para a continuidade, e na minha perspectiva o que dizem os politólogos sobre uma reeleição estar á partida garantida para um qualquer candidato salvo uma qualquer e eventual hecatombe, não serve senão para desculpar o indesculpável!!! E porque para hoje já chega de tristeza e irritação deixo uma pista para futuros actos eleitorais… Se já aprovámos um novo acordo ortográfico com o grande país irmão, porque não aproveitar a embalagem e do Brasil trazer também a obrigatoriedade do voto imposta ao cidadão que por lá existe? Porque, de onde estou, parece-me que o slogan apregoado "Votar é um Direito e um Dever Cívico" só é cumprido na primeira parte do Direito!!!
Carlos Pestana, Chefe do Serviço Antena 3 - Madeira