Se um dia a sua empresa o despedir, sem justa causa, recebe 30 dias de salário por cada ano de trabalho. A proposta que o Governo apresentou esta semana reduz para 20 dias/ano. Conclusão: despedir fica mais barato. A argumentação da ministra é a de que Portugal se está a "adaptar" à legislação do nosso maior concorrente na atracção de investimento, a Espanha. E que somos dos países que possui legislação mais branda nesta área. O que o Governo não lembra é que nos países concorrentes os subsídios de desemprego são bem mais elevados, assim como as pensões ou o salário mínimo. Neste último caso, com 485 euros mensais, apenas ficamos à frente da Bulgária, Roménia e Polónia. Grécia, Espanha e os restantes países europeus ultrapassam-nos. O que o Governo não lembra é que esta medida "inevitável" não seria tão "inevitável" se Portugal não tivesse desbaratado fundos dos 3 Quadros Comunitários de Apoio, a que teve direito, em muitas obras inúteis. Em infra-estruturas que entreteram a actividade económica, mas não nos tornaram mais competitivos e capazes de produzir bem para exportar em larga escala e gerar riqueza. O Governo não lembra os dinheiros públicos quantas vezes governados por gestores/políticos sem capacidade técnica, tanto na administração central como local. Não é tornando "baratinho" o despedimento em Portugal que nos tornamos mais competitivos. Não é tornando fácil a vida aos investidores, à custa dos rendimentos dos portugueses, que apostamos em Portugal. Isso pode servir para mascarar os actuais índices da actividade económica, mas não é uma aposta de futuro. O país não se constrói sem os portugueses, muito menos contra eles.
Luís Sena Lino, Consultor de Marketing