A mudança é por si só um desafio, mas quando no nível imperativo, parece ser um obstáculo quase intransponível. A pressão dos modelos de desenvolvimento, e ultimamente dos mercados e dos recursos financeiros, solicitam adaptações das pessoas e das organizações para garantir níveis de eficiência obrigatórios. Os clubes enquanto organizações, geridas por pessoas, têm de transformar, quase em regime de provocação, os valores e ideias que os suportaram e os mantiveram, como células fundamentais desta sociedade. Novos paradigmas para a actividade física e para o desporto foram há algum tempo lançados na evolução desta sociedade, e as instituições terão de ir ao encontro das expectativas das pessoas e da sociedade. Relutantes como sempre às mudanças, as instituições sempre mais ou menos conservadoras, traduzem sim e na mesma proporção, a força da resistências à mudança das pessoas, que fazem parte integrante dessas organizações. Os clubes têm de se adaptar em toda a dimensão, desde os gestores, os técnicos e os funcionários, a acolher os seus"clientes"de uma forma mais moderna e consentânea com os novos desígnios. A prática desportiva, é um produto, e como tal tem de ser entendida nessa perspectiva. Não se nega o papel democratizante, social e económico que contém, mas a sua sustentabilidade enquanto actividade, está a ser colocada em risco, se não conseguirmos modificar a filosofia. O papel do desenvolvimento desportivo tambem tem de ser encarado, com os níveis de especialização que hoje comporta o desporto e a sua administração terá de compatível com essas exigências. O percurso de um atleta de eleição, deverá ter a qualidade para se poder aproximar da genialidade, promovendo o desenvolvimento das potencialidades dos eleitos, com um enquadramento adequado. Implementar novas estratégias são precisas para responder eficazmente a estes novos e "forçados" tempos, a par de uma gestão globalmente diferente, com concepções modernas.
Rui Mâncio Caires, Director técnico da AFM