A cidade onde eu vivo merece mais. Todas as pessoas que conheço, e que nos últimos anos visitaram a Madeira, referem-se a essa viagem com agrado, principalmente à cidade do Funchal. Desenvolvendo-se ao longo desta concha natural, a sua baía, vista de terra ou do mar, é um retrato que ficará na memória de todos quantos escolheram este destino. No entanto, hoje, fruto de más opções e descuidos, corremos sérios riscos. Não faço parte daqueles que só sabem dizer mal, reconheço quando há decisões correctas, mas é tempo de uma profunda reflexão quanto ao futuro desta Região. Num mundo cada vez mais global e competitivo, ninguém discorda da importância que o Turismo pode ter no desenvolvimento da RAM. Não se trata de a promover a baixos custos, mas sim da manutenção da qualidade, onde o elemento diferenciador prevaleça. As levadas, os inúmeros passeios a pé no interior das nossas serras, as estradas de ligação entre as diversas localidades com as inerentes paisagens deslumbrantes, parecem ter caído no esquecimento, substituídas hoje pela preocupação primeira da manutenção das vias rápidas e dos túneis. Voltando à nossa cidade, recebi recentemente no meu mail uma série de fotografias da autoria do geógrafo Raimundo Quintal. Identifiquei-me totalmente com a sua apreensão já que, enquanto vereadora da CMF questionei o porquê de algumas situações. Uma das mais gritantes é sem dúvida a zona limítrofe do porto. Sei que nem tudo é da responsabilidade da Câmara, há outras instituições com responsabilidade. Mas aqui não pode haver o jogo do empurra. Estamos todos a trabalhar para o mesmo fim. Tornar a Madeira atraente. É desolador o que temos para oferecer a milhares de turistas que semanalmente se deslocam a pé da pontinha até ao centro da cidade. Afinal, sendo a nossa grande aposta o Turismo, porque é que a recuperação foi sentida em todo o território nacional à excepção da Madeira?

Isabel Sena Lino, Deputada Municipal do PS