As últimas eleições presidenciais serviram de divertimento para muito boa gente. Na verdade, quer no período pré-eleitoral, quer no rescaldo dos resultados de Domingo, várias foram as exteriorizações de puro "gozo" a que assistimos, num sinal evidente da aberração em que se transforma o sistema político em que vivemos. É que tivemos de tudo… Achou-se um "gozo" quando apareceu o "Tiririca da Madeira", quando a mesa em que este recolhia assinaturas foi parar à ribeira, quando a centenária República o proclamou oficialmente candidato. Foi com "gozo" que se assistiu ao corso alinhado de Defensor Moura, Francisco Lopes e Manuel Alegre, numa confrangedora campanha de calúnias, boatos e insinuações, de fazer lembrar o próprio Coelho, useiro e vezeiro neste tipo de estratégia. Mas foi particularmente curioso quando, após a divulgação da votação na Região, se assistiu ao "gozo" com que distintos militantes e responsáveis pelo PS-M rejubilaram pelo resultado obtido por um candidato que não era o seu (pelo menos aparentemente) e depois de saberem que Alegre se tinha ficado por humilhantes 7,99%... Foi, também, com "gozo" que os mesmos socialistas deixaram, sós e abandonados, os dirigentes regionais do Bloco de Esquerda em plena sede do candidato poeta, que assim assumiram isolados essa derrota… Posto isto e antevendo as eleições regionais de Outubro, com um impacto e repercussão bem diferentes na vida de todos nós, ou procuramos, desde já, devolver alguma seriedade à vida política, ou então continuamos a achar piada as estas "plataformas de gozo", espécie de "melting pot" absurdo onde todos cabem, uns salivando por umas migalhas de poder, outros felizes apenas por desempenharem o papel de "idiotas úteis".
Luís Nuno Olim, Jurista