Recordam-se dos belos tempos do Far West, nas alturas dos cowboys e daqueles emocionantes duelos entre pistoleiros, na rua principal frente á saída do saloon, as histórias com os índios, sempre muito guerreiros e sempre muito bem "maquilados", as jeitosas bailarinas do show do can-can - aquela bonita dança francesa inventada por Celeste Mogador, com uma música de Offenbach - todas as inúmeras peripécias que aconteciam naquelas minúsculas cidadelas do oeste americano,... e,...e, a corrida do ouro? Lembram-se de tudo isto, nos "westerns", que não eram mais do que filmes históricos, romanceados, onde se retratava a sociedade americana da época, em que o indivíduo era muito valorizado pela sua luta, a qual detinha com o seu meio ambiente, e onde alguns códigos de honra se sobrepunham ás próprias leis do país ou do estado - como por exemplo, nunca disparar pelas costas. E recordam a famosa corrida do ouro da Califórnia, que começou em 1848, movimentando em direcção ao oeste dos Estados Unidos da América - para a zona dos rios Americano, Sacramento e Fether - cerca de trinta mil viajantes entre garimpeiros , estrangeiros, comerciantes e outros imigrantes. Que eram conhecidos como os "fourtyniners" (relativo ao ano de 1949)! Esta corrida fez desenvolver de tal maneira a cidade da Califórnia, ao ponto de, em 1950, dois anos depois, poder passar a Estado, tendo então constituído o 31º Estado da União. E todo o desenvolvimento do oeste americano, se iniciou com este fenómeno de exploração do tal metal nobre, muito valioso económicamente - na época e sempre cada vez mais - e deu concerteza origem á grande expansão agrícola, comercial e industrial, daquele grande país da América do Norte e também por contágio, á dos seus vizinhos. E aqui no nosso desenvolvido mundo, hipermoderno, supercibernético e polidemocrático, 160 anos depois, começou outra vez, uma corrida do ouro! Não ao metal no seu habitat comum, mas o dito metal, já comercialmente manipulado para joalharia. Recorrem ao ouro, aqueles que precisam de o vender para poder cumprir e honrar alguns compromissos, outros porque talvez sintam que dinheiro efectivo é mais útil e importante do que "aquilo" que herdaram dos avós, e ainda outros, em menor escala, que vêem neste metal nobre o seu real valor e o real motivo de investimento. E para este súbito mercado de procura e oferta, logo apareceram também súbitamente, dezenas de "oficinas" qualificadas para responder ás solicitações. Com idoneidade, formação, disponibilidade e discrição! Mas a tal seriedade que se precisava e devia ser requisitada para este tipo de negócio, não bate muito certa, quando se ouve anúncios radiofónicos do tipo: ó cunhada, vende mas é aquele colar ás voltas que a tua avó te deixou e vamos a Londres para ver a Rainha de Inglaterra, lá no Palácio ! Cada um faz daquilo que é seu, o que muito bem entende, ... mas, não fica bem dizer isto, apesar também, de cada um poder usar o "material e métodos" que entender para fazer vender o seu produto! E nem me passa pela cabeça perder tempo a investigar, para saber se a dita Rainha, fez alguma coisa assim tão importante, que mereça a venda compulsiva dum colar de 50 centímetros de ouro português, para a visitar no palácio! Ainda por cima, para observar a realeza com uns binóculos, nas suas amplas instalações reais! São os negócios e os mercados a funcionar! Sem dó nem piedade! Como manda a moda! Moda, adaptada ao "modo e feitio" do pensamento humano neste início de século. Desde a longínqua jornada americana, até aos nossos dias, o metal dourado sempre representou algo de importante e significativo na vida das pessoas, ficando secularmente conhecido, como forma de presentear condignamente, familiares, amigos, pessoas a quem se reconhecem méritos ou grandes desempenhos, provocando neles a justa satisfação e a responsabilidade por essa justa homenagem. Pena temos, que estas coisas estejam a acontecer, que as heranças e as poupanças desapareçam desta forma tão crua e tão imediata, ... sem quase dar tempo a respirar! Todos estes valores, a pouco e pouco, se vão assim perdendo, porque assim vai ... e assim quer ... o mundo! Hoje vai o ouro, depois irá a prata, mais tarde o bronze, e ainda vamos acabar ... no zinco, utilizado para fazer a lata!
José Manuel Morna Ramos