Num cenário enfabulado da vitória de José Manuel Coelho e os outros nas eleições regionais teríamos, com certeza, uma profunda alteração do modelo económico da Madeira. Por um lado, a detenção de todos os governantes actuais, bem como de todos os "acólitos" do PSD, num campo (Gulag ou Lager consoante a disposição dos criadores) de reeducação política instalado nas Desertas (após retirada de todos os Coelhos, quedar-se-iam as cabras porque delas não reza a história). Por outro, devolução de todas as propriedades à família financiadora desta "missão divina" e que se diz injustamente espoliada; restabelecimento de todas as colonias existentes nas freguesias do Imaculado Coração de Maria e do Monte; devolução da serventia aérea de todas as fracções sobrevoadas pelo teleférico do Monte; substituição de todos os "poios" de bananeiras por parques de estacionamento; demolição do Funchal Centrum, do Estádio dos Barreiros, do Estádio da Madeira, da Quinta do Lorde e impedimento da conclusão do Savoy. Que bom, o sector primário voltará a triunfar. Poderemos recriar as vidas dos nossos avós, ilustres e honrados servos da gleba que, religiosa e respeitosamente, entregavam metade das suas colheitas ao senhor feudal que fazia o favor de as receber. Vestiremos os nossos fatos domingueiros para prestar a devida e necessária vassalagem ao senhorio e contentar-nos-emos com 250 gramas de manteiga mensais guardadas na gaiola (todos os electrodomésticos estarão restringidos a quem não possua solares) e com o pedacinho de porco que a salgadeira protege. Finalmente, serão colocados à disposição de todos nós mais de cem mil (100.000) postos de trabalho nas refinarias da Shell no Curaçao, o que implicará a reabertura do Centro de Recrutamento do Hinton que, mediante a devida comissão de agiotagem e taxa de usura garantirá a respectiva colocação. Sem dúvida que a Madeira voltará a ser a terra de futuro que era há 40 anos atrás.

Carlos Rodrigues, Empresário