A população europeia vive maioritariamente em zonas urbanas. Segundo dados do "Eurostat" em 2007 essa percentagem significava 72% do total da população da EU, bem como do ponto de vista económico, cerca de 85% do PIB europeu era gerado nas cidades. Estes valores demonstram de forma premente a necessidade de sistemas de transportes urbanos eficientes, quer pelo nível do serviço que prestam aos cidadãos, quer na sua componente ambiental e energética (emissões CO2, ruído, consumos, etc.). Acresce a estas questões a problemática da demografia (o envelhecimento da população leva a novos desafios de mobilidade), da inclusão social (pessoas portadoras de deficiência), bem como ao nível da saúde pública (o aumento da dependência do carro vs aumento de doentes com Diabetes e patologias Cardiovasculares). Assim, vários são os caminhos que as cidades podem percorrer, sendo que algumas das soluções são comuns a todas, contudo, estas estratégias devem ser especialmente tratadas a um nível Regional e Local, porque cada cidade é uma realidade diferenciada. Isto significa que não há soluções únicas, estilo panaceia para os estes problemas. A cidade do Funchal integrou a rede Civitas, a qual reúne 192 cidades europeias que se comprometeram a adoptar medidas que levarão a uma melhor Mobilidade Urbana Sustentável. No caso da nossa Cidade o grande enfoque recai sobre o Transporte Público e nas mudanças de comportamento dos cidadãos. Interessa-nos consolidar os aqueles que já utilizam os Transportes Públicos, mas acima de tudo sensibilizar novos utentes, principalmente os que estão situados nas novas centralidades da Cidade do Funchal e muito bem servidos pela rede de autocarros. Foi essa a lógica do lançamento da Linha Verde e de variadas iniciativas como a Semana da Mobilidade, bem como da aquisição de novos equipamentos por parte dos Horários do Funchal que respeitam as normas europeias mais exigentes em matéria de poluição (relembro que os veículos Euro V poluem 5 vezes menos quando comparados com os autocarros mais antigos) São questões ambientais e energéticas, mas também de aumento de qualidade de vida das populações, nomeadamente porque são soluções de mobilidade menos onerosas para o bolso dos cidadãos, numa altura de crise e contenção. É por essa razão que faço uma sugestão, apelando apenas ao interesse de cada um, que efectuem a vossa contabilidade doméstica comparando o custo do Transporte Individual com o custo do Transporte Público. No final desse exercício e em função do resultado do mesmo, cheguem às vossas conclusões, estando sempre conscientes que a decisão é sempre vossa e nunca imposta por ninguém ou por qualquer tipo de falso moralismo.

Bruno Pereira, Vice presidente da CMF