S.P. No iníco do ano passado fui acometida por uma doença muito grave que me deixou de rastos, após saber o diagnóstico. Senti raiva e revolta sobretudo porque trazia na minha alma cicatrizes perpetradas por alguém cobarde e, como tal, senti-me imerecedora. O médico cirurgião, de olhos nos olhos, calmo e sereno (apanágio da sua postura)informou-me dos trâmites a seguir e ao pedir-lhe a 'prorrogação' da minha vida, por dois factos primordiais: não demitir-me do meu papel de mãe e sobretudo de avó, que considero, sem qualquer sombra de dúvida, ser mãe duas vezes, respondeu-me sem evasivos: claro que iremos conseguir. A partir daí criou-se uma empatia com o meu médico e depositei nele toda a minha confiança. Estava perante o médico que velava por mim, não só como médico, mas também como amigo. Fui para o bloco operatório do Hospital Dr. Nélio Mendonça com o pensamento elevado para Deus e com a certeza de voltar a ver 'os meus' pois aguardava-me uma equipa competente de médicos, enfermeiros (as) e auxiliares. O pós-operatório foi fantástico, graças ao empenhamento de todo o pessoal que em rodeava, mas sobretudo do 'meu médico' que me visitava duas, três vezes por dia, por vezes até pela noite dentro, o que me deixava absolutamente calma e confiante. E aqui estou. Até quando? Não sei. Mas sei que conheci um cirurgião que ainda hoje em deixa tranquila, que faz o favor de ter o meu contacto móvel e vice-versa. Em Dezembro de 2010 informou-me que tinha aceite o convite do grande cirurgião Eduardo Barroso para fazer parte da sua equipa, no Hospital Curry Cabral, em Lisboa. Senti uma lágrima ao canto do olho, mas confesso que fiquei feliz por ele. E este grande senhor é: Dr. Luís Carmona Bicho. Bem haja. Obrigada e um abraço.