Nem quero saber se temos já novo Presidente da República, depois da maravilhosa campanha que tivemos com a divulgação de algumas verdades oportunas sobre os candidatos. Na dúvida entre colocar qualquer um dos "favoritos" em Belém, o português verdadeiramente interessado no estado do país terá ficado embasbacado e bem agasalhado em casa, porque o frio deve ter sido o culpado da abstenção. O frio e o "panelo" do Chão da Ribeira, quase no fim deste mês de Janeiro em que não apetece continuar a ouvir falar da crise, do FMI e dos cortes nos salários. Parece que todos se uniram para lixar o Zé-povinho, quando passa a ganhar menos os barões aumentam tudo, desde o pão às vacinas. É uma verdadeira conspiração destes maus gestores de Portugal. E como pode uma Europa sugerir e apoiar medidas de austeridade tão graves para um povo que não ganha tanto como eles e paga igual nos supermercados? Estarei de acordo com todos os PEC's quando me justificarem porque é que a vida no dia a dia nos custa tanto como a dos alemães e franceses, tendo eles rendimentos substancialmente maiores… Janeiro é o mês mais comprido do ano e estes 30 dias dão para apanhar sustos no bolso, valendo que Fevereiro é o mais pequeno e passa rápido, desde que o Carnaval não seja de gastos. E começou com um susto para o Presidente do Governo Regional, ao qual também desejo as melhoras, extensivas a todos os que estão em convalescença. Mas fico na dúvida no seu atendimento no hospital. Será que foi atendido por um médico ou por um padre, vontade que havia manifestado recentemente aquando da greve dos médicos?! Se foi padre, tem um jeitão para a medicina e está a desperdiçar o talento a convencer pecadores a mudar de rumo… Outro que deve mudar de rumo é o "paineleiro" do Dossier de imprensa que voltou a referir-se aos professores como aquela classe que tem imensas férias e trabalha poucas horas. O homem deve regrar os seus valores bem baixo, pelos maus profissionais que há em todo o lado. Esquece-se que, para leccionar 22 horas decentemente, um bom profissional precisa de outras tantas para preparar o ensino. Ainda tem de tratar de matrículas, compor turmas, fazer horários, corrigir testes, comparecer a inúmeras reuniões e acções de formação, conselhos pedagógicos e disciplinares. E tudo isto com salário e progressão na carreira congelados. Não deve ser só sentar-se na cadeira almofadada e com rodízios e "bater" três mil caracteres para o artigo do dia. E ainda dar uma perninha na Quinta à noite na televisão. Cá para mim, este não "faz" escola…
Paulo Gomes