Como já escrevi muitas vezes, a avaliação de um membro do Governo responsável pelo Turismo não pode, nem deve, ser feita pelo desempenho do sector, num ano. Mas isso não impede que se analise e tire conclusões para o futuro das estatísticas existentes. Vamos a números: em 2010 o Turismo mundial cresceu 6,7%, os destinos maduros cresceram menos (5%), em Portugal crescemos, embora abaixo destes valores, e na Madeira descemos, até Novembro segundo os dados do INE, 9%. A evolução do Turismo num Destino depende de muitos factores. Do lado da Oferta de haver empresas que entendem o mercado, prestam bons serviços a um preço justo e sejam competitivas, ou seja, consigam prestar esse serviço com um custo inferior ao preço que cobram de forma a que a margem de lucro que obtêm lhes permita pagar os investimentos que fizeram no passado e que terão de fazer no futuro. Do lado da procura depende da evolução dos mercados emissores, em especial daqueles que são tradicionais (situação económica nesses países e a evolução do câmbio da moeda nacional são factores fundamentais), do esforço promocional que se faz em comparação com aquele que é feito pelos destinos concorrentes, da atitude da comunidade local perante o Turista e pela actuação nas infra-estruturas essenciais ao Turismo. Nomeadamente: acessibilidades (o que incluí aeroportos, estradas ou sinalização), nível de segurança e de criminalidade, assistência médica disponível, qualidade ambiental e urbanística, meios de animação existentes, horários de abertura dos locais de interesse. E, ainda, de outros incontroláveis como Intempéries ou desastres naturais. Assim na função do membro do Governo responsável pelo Turismo é tão importante a capacidade de influenciar os seus colegas para que nas suas áreas de influência actuem em favor da actividade turística como actuar na sua esfera própria de acção e conseguir ter uma parceria séria com a iniciativa privada, principal actor da actividade turística. E para alcançar tudo isto é necessário ter uma estratégia e um plano de actuação conhecido e aceite pelo sector, ter meios (financeiros e equipa profissional) disponível e a agir e (reagir) rápido. Porque hoje o mundo concorrencial que caracteriza a actividade económica não se compadece de delongas, indecisões, estratégias mal concebidas ou planos não executados seja porque motivo for. É a vida...

José Theotónio