Eu gosto! É bom! Quanta segurança em afirmações tão dúbias! Como o paraíso reinaria para sempre se pudéssemos afirmar com toda a certeza que é bom tudo o que gostamos. A verdade é que nem tudo o que gostamos será considerado por todos bom e nem tudo o que podemos considerar bom é verdade que todos gostem. Tudo dependerá de quem somos, de como somos e também de qual a nossa educação, instrução, formação e ainda de todas as condicionantes de cada época, localidade e cultura. O que achamos que hoje é claro, verdadeiro, único, entusiasmante, não terá de obrigatoriamente ser sentido da mesma forma amanhã, nem ter sido acreditado no passado, como todos nós sabemos. Cada tempo é um tempo e tem que ser sempre renovado. O gosto tem que ser muito bem-educado, trabalhado exaustivamente desde que começamos a ser gerados, com prazer. Tal pressupõe a inexistência de barreiras preconceituosas para que o indivíduo se desenvolva livremente, pronto a sorver os contrastes de todas as eras e sempre em busca do "Belo". É necessário que se separe devidamente o que se entende por qualidade e o que se entende por gosto. A qualidade tem medidas para que se possa definir. O gosto tem os diversos paladares que cada língua poderá dar no decorrer de tantos sabores. A meu ver a qualidade não muda, o que muda é o gosto de hoje como o de amanhã será diferente do de ontem. A qualidade é intrínseca! O gosto é efémero! Quantos de nós ontem apreciávamos obstinadamente um objecto, um paladar, um toque, um som, um aroma que hoje já nada nos diz apesar da qualidade que lhe é inerente se manter. O que é o gostar? O que é o ser bom? É necessário que no Teatro, todo e qualquer artista, seja amador ou não, tenha muita atenção em todas as opiniões do gostar e do que é bom que o rodeiam, ora envolvendo-o com lisonjas despudoradas ora com críticas viperinas. Não vão elas atravancar o seu verdadeiro percurso, divergente dos demais, que cada um decide tomar em momentos específicos de procura de realização pessoal

Eduardo Luiz, Encenador