Se do ponto de vista político muitos analistas têm caracterizado esta campanha presidencial como pobre e fraca, sendo por muitos já considerada das piores campanhas de sempre em Portugal, do ponto de vista do marketing e da comunicação a avaliação que faço é igualmente pobre, sem qualquer rasgo de criatividade ou de inovação quer no conteúdo quer na forma. Comecemos pelos candidatos. Sabemos quantos são e os seus nomes? Se sim, já não está mau. E em relação a estratégias e ideias para o País? No fundo a razão das suas candidaturas e a mensagem mais importante que deveria ter sido passada a todos nós, sabemos quais são? E em relação aos seus slogans, afinal o cartão de visita de cada candidato, a razão da sua candidatura, a afirmação das suas convicções… Lembramo-nos de algum? E em relação à forma? Quais os métodos e ferramentas que utilizaram os candidatos para passar a sua mensagem e para tentar cativar todos nós seus potenciais clientes… Primeiro vieram os debates na Televisão durante a época natalícia e o fim do ano - fantástico! … Um verdadeiro sucesso a julgar pelas audiências; Depois vieram os jantares com música e animadores para alegrar o povo e encher a barriga de alguns; Seguiram-se alguns comícios - estes claramente em vias de extinção; e por fim as arruadas - que outrora não deixavam ninguém indiferente mas que hoje em dia estão já banalizadas. Resumindo, esta campanha presidencial não trouxe grandes novidades nem do ponto de vista político e de conteúdo, e muito menos do ponto de vista do marketing e da comunicação. Na política, tal como nos negócios, quando não se tem visão nem ideias, e quando não existe uma estratégia concertada e integrada ao nível do marketing e da comunicação, o sucesso é uma miragem e só acontece por mero acaso ou porque a nossa concorrência é má ou simplesmente inexistente.

Nuno Agostinho, Gestor