José Carlos Rodrigues Ferreira Li atentamente, num jornal "continental" que a Comissão Coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública tinha reunido em Lisboa, no passado dia 8 de Setembro, e aprovado um "Projecto de Proposta Reivindicativa Comum para 2011", cuja fase de discussão, nos locais de trabalho, terminava hoje dia 22 de Setembro. Entre as reivindicações centrais apuradas, constava um aumento de 50 Euros para todos os funcionários públicos e a revogação da legislação "da reforma de direita na Administração Pública", contida no PRACE (Plano de Reestruturação da Administração Central do Estado). Mais informava que em cimeira sindical, a ter lugar nesta mesma data, seriam apurados os resultados daí advindos, cujas conclusões seriam de imediato entregues ao Governo. Salientava igualmente que os direitos e condições de vida e de trabalho dos trabalhadores da Administração Pública se tinham agravado de forma brutal com o anterior e actual governo do PS, daí a justificação para a reivindicação dos citados 50 Euros em todas as posições remuneratórias e em todas as pensões, a actualização do subsídio de alimentação, etc, etc. Com estas propostas, a FCSAP (Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública) pretende que sejam compensadas as perdas de 6,8% do poder de compra dos funcionários da Administração Pública, desde o ano 2000. Ainda segundo a mesma notícia, tendo em conta a gravidade da actual situação e a necessidade urgente de soluções, a citada coordenadora propõe a correcção imediata de 14 situações que classifica como "mais graves", sobre as quais não me alongarei por manifesta falta de espaço. Bem... tudo isto aconteceu no "infernal território continental"! Aí, estão alerta, lutam pelos seus direitos e o Sindicato dá a cara e o corpo às balas! E por cá!? Que têm feito os sindicatos ligados à Administração Pública, neste santificado "oásis celestial"? NADA... Leram bem... NADA Um dos sindicatos, não aceitando minimamente as "misturas", divorciou-se há já longos anos do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Ilhas, passando a ter os Açores como único parceiro. Emancipou-se e autoproclamou-se autónomo, saindo inclusive da Federação Nacional. Desligou-se por completo da realidade nacional. Só tem olhos para o seu próprio umbigo e, tal como Dom Quixote de la Mancha, confunde velas de inexistentes moinhos de vento com a lábia doutrinal emanada da Quinta Vigia, tendo como carimbo oficial a sinistra e opressora chancela do Palácio Laranja da Rua dos Netos. Nada foi feito ao acaso. Tudo foi programado. Terá sido mera casualidade a indicação e respectiva reeleição de um Técnico Superior para presidir ao sindicato do qual sou, há mais de trinta anos, velho associado? Coitado, não mexe uma palha com receio de levantar a poeira das suas luxuosas poltronas, tanto mais que não são os seus direitos que estão em causa! Outro - o SINTAP - anda atarefado em "solenes" apresentações da sua "coqueluche", acabado de tomar posse num clímax egocêntrico sem igual. É vê-lo, altivo e com desmedido orgulho, calcorrear alguns dos anteriormente "inacessíveis" corredores palacianos desta escravizada ilha, estendendo sua mão igualmente suja aos "patrões do poder" e às suas figurativas marionetes. Agora, investido nesse idealizado cargo, dando assim cumprimento a uma das suas fantasiadas metas, sonho de largos anos, quem o fará descer à terra!? Chegou ao cume dessa almejada pirâmide, oca de princípios e nula de conteúdo. Afinal, quem representam? Os trabalhadores? Devem estar a brincar comigo...!? Estou em crer que estão melhor apetrechados para o ataque aos seus direitos. Enquanto não me provarem o contrário, será essa a ideia que continuarei a ter. Levantem a mão, os trabalhadores dessa fictícia UGT e lancem foguetes, as organizações sindicais na mesma representados, de modo a que eu posso ver, ouvir e acreditar na vossa acção!!! Caros colegas, abram os olhos e não se deixem ir no conto do vigário. Com o rabo preso ao banco nada se conseguirá. Vamos à luta, porque trabalho efectivo e com direitos é algo que a todos assiste. Exijamos que o "lodo" existente no "cais" da Administração Pública seja limpo por completo.