Mário Trindade Por ocasião da abertura oficial do novo ano escolar da UMA foi convidado de honra o Primeiro Ministro. Falou, entre outras coisas, do mérito de termos a mais jovem universidade pública do país com índices de eficiência elevados, graças a parcerias com universidades estrangeiras. Depois falou dos objectivos que pretendem alcançar para este novo ano: salientou que é muito importante aumentar o nível das graduações em todos os sectores e em todos os escalões etários. Deu como exemplo o dar a oportunidade aos indivíduos dos 30 aos 34 anos de idade de obterem uma licenciatura e, que estava mesmo convencido que isso aconteceria em 30%. O Presidente do governo Regional que lhe antecedera, alertara para o facto da despesa em educação ser a mais alta de todos os sectores. Teria incluído nisso as verbas que gasta no desporto (futebol). Voltando ao discurso do Primeiro Ministro e, depois de procurar convencer que tudo depende da educação universitária, estranhei que se tivesse esquecido de falar no Desemprego. Tinha-me vindo à ideia qualquer coisa como isto: DIPLOMAS = DESEMPREGO. O exemplo chegou-me de casa. Os meus dois filhos mais novos concluíram licenciaturas há dois anos e um ano, respectivamente e continuam desempregados. Mas eu sou um privilegiado porque ainda fui a tempo de uma reforma da Função Publica! E graças a Deus, porque senão, teria de pedir dinheiro emprestado para manter dois adultos desempregados, mas diplomados! Quando tirei o meu diploma (porque também o tenho) foi, movido pela necessidade de prosseguir na minha carreira de professor. Já tinha na altura 40 anos de idade. "Custou-me os olhos da cara", mas consegui! Hoje há mais diplomados mas mais desemprego. Estou de acordo que o povo precisa de mais instrução e cultura. Mas, adequados aos tempos que vivemos. Não percebo nada de Economia (barómetro de bem ou mal-estar dos povos). Sei que há despesas publicas e despesas privadas. A saúde da Economia para mim, devia estar na análise do somatório de todas as economias privadas. Há muitas famílias por esse país fora e meia dúzia de famílias detentoras de verdadeiros impérios comerciais e industriais. A saúde devia estar com as economias familiares. Infelizmente não é o caso! A Universidade, no seu papel de educadora, devia estar ao serviço destas economias privadas essencialmente. Devia ensinar como poder participar dos desempenhos dos grandes comércios e, por outro lado, como moderar a sede de consumismo. Não se pode esperar que os recém-diplomados que não conseguem arranjar emprego, venham eles da faixa etária que vierem, decidam fazer investimentos de altos capital e risco. Porquê? Porque não temos grandes tradições de associativismo. Se um aceita o risco o outro já não. A Universidade podia ter aqui também um bom papel: esperança em dias melhores com fé na solidariedade. Exemplos de actividades que não são de alto risco pode ser, acreditar em projectos de negócio a nível global, cujo investimento não iria além dos 2000 euros. Negócios muito "pequenininhos" que a médio prazo tornar-se-iam grandes talvez fosse uma alternativa ao Desemprego! Foi isto que faltou, a meu ver, quando o Primeiro Ministro falou do papel das Universidades.