Decorridos já lá vão sete anos, desde que - durante o tempo quente, em que, para além das férias sempre apetecidas, pouco ou nada acontece - passei a consagrar algum espaço para o que classifiquei de "parvoidades" e, neste ano de 2010, considerei isso mesmo utilizar como pretexto para, à semelhança dos chamados "Óscares da Academia", fazer a atribuição de "Óscares" aos autores ou protagonistas das "parvoidades" que abundam. Muitas foram as candidaturas que se perfilaram, todavia mais bem analisando, concluí que nenhuma delas merecia a distinção, todas se nivelando bastante por baixo. Do relacionamento de umas quantas entre si, bem como tendo presente outros eventos e questões, emergiu a justificação para a atribuição do "Óscar de lata 2010", numa base, digamos, "institucional". De qualquer modo, perante a lista individualizada, feita uma selecção, alguns dos seus protagonistas ou a própria "parvoidade", poderiam fazer jus a uma menção simples, uma vez que nem dimensões têm para, como se usa dizer, atribuir uma "menção honrosa". Daí, a listagem que segue e que visa unicamente o registo, sem preocupações de ordenação lógica ou sequer temporal e, sem quaisquer condicionalismos, para além do espaço editorial disponível:
A sentença do escândalo "Casa Pia", que se arrasta desde 2002, ignorando a vitimação bárbara de tantos jovens, para gáudio dos culpados, foi mais uma vez adiada, para Setembro, porquanto um dos juízes está de férias no estrangeiro. O surripianço de gravadores, durante a entrevista ao deputado do PS Ricardo Rodrigues, pelo próprio entrevistado, que depois os devolveu alegando que o fizera por distracção, é simplesmente "ternurento". A implementação do Acordo Ortográfico, espécie de manual para desaprender a escrever Português, é fatalidade que continua a merecer o desacordo dos defensores da Língua Portuguesa no respeito pelas suas origens. O arquivamento, passados 6 anos, do maior caso de corrupção desportiva, o "Apito dourado", fez que tudo ficasse em "águas de bacalhau". O "casamento" como impropriamente é designada a união aberrante entre pessoas do mesmo sexo, não passou de ter sido mais uma habilidade política, mais uma manobra de diversão, usada para encobrir problemas reais do país. A última "varabilidade" do célebre arguido no processo judicial "Face Oculta" parece ter-se saldado com a sua demissão de todos os cargos no BCP, com direito a receber uma choruda quantia "correspondente à que lhe seria devida até ao termo normal do mandato em curso". A despeito de condenado a prisão efectiva confirmada pelo Tribunal da Relação de Lisboa, pelos crimes de corrupção, fraude fiscal e outros, Isaltino Morais continua a ser Presidente da Câmara Municipal de Oeiras. O assomo de portuguesismo, da jornalista Pilar del Rio que, depois de ter defendido a integração de Portugal em Espanha, como uma província espanhola, ao pretender adoptar Portugal como sua Pátria, quiçá em retorno de lhe serem garantidas as condições para assumir o cargo de "Presidenta" da fundação que tem sede na Casa dos Bicos, a expensas de todos nós, bem como a contribuição da edilidade de Lisboa para os custos do filme «José & Pilar», uma "estória" dos seus amores com Saramago, a estrear no Outono, para dizer o mínimo, é mesmo enternecedor. Finalmente, tendo presente a muita trapalhada, o diz que disse e não disse, o desentendimento entre agentes do poder judiciário, com ataques recíprocos, como por exemplo entre o Procurador Geral da República e o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público que ontem se acentuou e de que deu conta a media nacional, na sua generalidade, o "Óscar de lata 2010", na tal base dita institucional, vai inteirinho para a Justiça em Portugal.
Francisco Leite Monteiro