O 58.º aniversário da Força Aérea Portuguesa ficou marcado pela maior operação logística jamais levada a cabo na Madeira por parte da FAP, já que foram deslocadas 34 aeronaves. Pelo Porto Santo passaram, para reabastecimentos e estacionamento, doze caças F-16, seis Alpha-Jet, três aviões de transporte C-130, três novos C295, bem como o P-3P Orion a que se juntaram dois Aviocar, quatro helicópteros Alouette e três Merlin. O aeroporto local registou um movimento recorde já que foram mais de 60 as aterragens/descolagens. Na ilha estiveram centena e meia de militares da FAP. Entre pilotos, mecânicos e outros especialistas com cada esquadra/avião a dispor de uma equipa de apoio. Toda a logística de apoio ao festival aéreo que decorreu na baía do Funchal na tarde de sábado foi montada no Porto Santo. De tal modo que a partir das 12 horas a Galp afectou todos os recursos para garantir o abastecimento das aeronaves. Foram cerca de 150 mil litros de combustível, com a curiosidade de um C130 levar até 20 mil litros e um F16 cerca de 4 mil litros. Como o combustível tinha de levar um aditivo, não foi fácil garantir o abastecimento dentro do horário pretendido. Num dia frenético, em que o barulho dos potentes motores do C-130 quebrou o ambiente bucólico que se vive na ilha, a presença dos F16 constituiu a maior curiosidade, quer pela velocidade que atingem, como e sobretudo pela sofisticação dos seus equipamentos e armas. Embora a legislação não o permite fora de um teatro de guerra, os F16 podem voar a Mach 2 (688 mts/seg), o que permitiria efectuar a ligação entre Lisboa e a Madeira em apenas 24 minutos. Concluído o festival, parte da aeronaves da FAP regressaram às suas bases no continente, embora na Ilha Dourada tenham ficado dois F16, bem como os helicópteros Merlin que deverão transportar o Ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, e sua comitiva às Ilhas Selvagens.

Miguel Torres Cunha