Por ocasião do mês de Abril, preparei um apontamento que tinha como ponto de partida o 25 de Abril, sendo que, por razões várias, apresentei outra temática. Um dia destes, por mero acaso, reli esses comentários e achei interessante publicá-los porque pareceram-me adequados à situação que atravessamos. "Passados que estão 36 anos do 25 de Abril, são muitas as interrogações que presentemente pairam e diga-se em abono da verdade, que estas, deixam-nos uma sensação de alguma angústia e pessimismo em relação ao futuro. Cito o 25 de Abril como a data em que se iniciou uma nova era politica no nosso país, com o advento de um regime de democracia pluralista, em que os portugueses recuperaram um conjunto de direitos que durante longos anos lhes foram negados. Se bem que em relação à liberdade conquistada em Abril de 1974, jamais se deverá perder a memória dessa conquista e das razões que estiveram subjacentes à "Revolução dos Cravos", hoje mais do que nunca, devemo-nos interrogar sobre a actual situação. Não fazendo uma retrospectiva de todos estes anos, julgo no entanto, que devemos meditar sobre a actual situação que vivemos. Não só em termos económicos, mas também sociais, culturais e de valores. Não está em causa, a evidente evolução que a situação sócio-económica teve nos últimos 30 anos, que é perfeitamente visível, mas há sobretudo que analisar o actual estado do país e não estarmos a fazer comparações com uma situação que, sendo um marco incontornável da nossa História, já não pode ser a referência para paralelismos absurdos, porque descontextualizados. Há que ter agora uma ambição de melhoria contínua das potencialidades do nosso país e de garantir um futuro promissor para todos. E é nestas perspectivas que actualmente se adensam nuvens bem carregadas, que não permitem sermos optimistas e termos grandes esperanças de um desanuviamento mais ou menos célere. Infelizmente, estamos perante um país com uma economia desestruturada em que alguns dos sectores que tinham um peso significativo se tornaram pouco competitivos (Ex.: têxteis, calçado, agricultura, etc.) por razões várias em que avultam as inerentes à Globalização e ao facto de não terem sido entendidos os sinais de mudança que prenunciavam a situação. Fomos vivendo numa "doce" atitude do "deixa andar" iludidos por alguns quadros conjunturais que nos foram altamente favoráveis e que mais do que aproveitados para nos prepararmos para os desafios que se avizinhavam, foram consumidos no "consumo" de recursos de uma forma, em grande parte, improdutiva. Criaram-se hábitos desregrados, fortaleceram-se corporações e "cultivou-se" o acessório em detrimento do principal, pelo que o nosso país se encontra numa situação que no mínimo é preocupante. Depois da crise financeira que assolou o Mundo, é óbvio que nada poderá ser como era anteriormente e alguns equilíbrios financeiros discutíveis deixaram de o ser, pelo menos, tão facilmente implementados ou disfarçados. Temos casos de países em grandes dificuldades e a situação de Portugal é, eventualmente, melhor, mas nada tranquilizadora. As "entrelinhas" dos discursos deixam-nos de sobreaviso de que algo poderá acontecer… Outros sectores como a Saúde, Justiça e Educação, onde se registam imensos problemas, passando para a opinião pública em geral uma imagem desprestigiante, são também um reflexo de um país, que já não sei se é adiado, se é um país que necessita de uma mudança profunda, tipo o 25 de Abril, obviamente, com características diferentes. Nestes 37 anos que já se passaram desde o 25 de Abril, seria tão bom que soubéssemos relançar Portugal, para os ideais de bem-estar e prosperidade de todos quantos, genuinamente, sonhavam naqueles primeiros tempos. Seria a melhor homenagem ao 25 de Abril". Como poderão constatar alguns dos prenúncios já estão anunciados…
Sílvio Costa