João Freitas "A economia tem sido destruída pelo Euro", afirmou João Ferreira do Amaral, Professor do ISEG, numa entrevista ao J.Negócios, em 25 do corrente. Joseph Stiglitz, Prémio Nobel Economia 2001, em artigo de opinião sobre o Euro, referia que a Europa ainda ia a tempo de implementar reformas, de modo a manter os seus ideais assentes na solidariedade e, concluía com a afirmação: "Mas se não for capaz de o fazer, é melhor reconhecer o fracasso e seguir em frente do que enveredar pelo desemprego e sofrimento humano em nome de um modelo económico que apresenta numerosas falhas" (D.E. 15/05) Numa perspectiva do cenário do Mundo em 2015, diferentes personalidades, sobre o nosso País, referiram: "Vêm aí anos exigentes para as democracias liberais", Prof. Miguel Monjardino, U. Católica. "Em vez de um país dual, teremos um país tripartido, com um pequeno segmento europeizado", Luís Capucha, Prof. IUL/ISCTE. "O problema português é político-social. Grupos instalados conseguem, através do Orçamento de Estado, sugar muito mais do que contribuem para o país". João César das Neves, Prof. U. Católica. (Revista Expresso,10/04) Após o anúncio destas últimas medidas de austeridade anunciadas pelo Governo, João Salgueiro (Ex-Presidente da Associação de Bancos) dizia à comunicação social que deveria avançar já um PEC 3 e, que deveria consistir entre outras medidas, no corte salarial em 20%. Mas, dizia que isso não iria acontecer devido ao calendário político das eleições Presidenciais e, concluía, referindo que possivelmente, daqui a 4 anos, o País não consiga pagar os empréstimos obtidos à banca estrangeira. Conseguimos perceber, pelas perspectivas de várias personalidades, de diferentes instituições que algo não está bem no nosso País, e o Governo sempre afirmou que tudo estava bem, excepto há 2 semanas, quando o Primeiro-Ministro, em entrevista à RTP, dizia que tinham-se apercebido que o Mundo havia mudado nas 2 semanas anteriores….!! Paul Krugman, economista americano, num seu artigo sobre o Euro, no New York Times (15/5), referia que muitas pessoas inteligentes pretendiam não reconhecer que o "elefante" estava na sala. Creio que percebemos pelas afirmações de João Salgueiro, que o problema continua a ser grave na nossa economia, mas devido à agenda política, possivelmente, será uma vez mais adiada a aplicação da decisão mais adequada a corrigi-lo. Uma questão, por agora, poderá ocorrer-nos: Será que quando não houver liquidez suficiente que permita pagar salários, porque tivemos de pagar capital e juros, cujas taxas, certamente, serão crescentes, pela pressão do risco e da acção dos especuladores, as cadeiras das Assembleias da República e Regionais ainda serão ocupadas pelos nossos legítimos representantes?