Um voluntário do todos os dias Ao abrir a edição escrita de ontem do Diário chamou-me a atenção a noticia com o titulo acima e que se referia à não atribuição de uma condecoração à Cruz Vermelha, por ocasião do 10 de Junho. Como voluntário no activo fiquei preocupado. Afinal porquê o mal estar? Porquê o ter paciência? O trabalho dos voluntários agora paga-se com comendas? Os voluntários da Cruz Vermelha Portuguesa, na Madeira como em todo o País trabalham 365 dias por ano no sentido de proporcionarem a quem deles precisa a melhor atenção e cuidado. A situação vivida na sequência do temporal de 20 de Fevereiro, mereceu da parte dos voluntários da CVP uma resposta pronta e eficaz. Entre 20 de Fevereiro e 3 de Março garantiram todo o serviço de emergência à cidade do Funchal, disponibilizaram equipas para apoio a pessoas isoladas na zona velha da cidade, procederam a resgates nas zonas altas, distribuiram bens alimentares e roupas a quem delas precisaram, deram apoio a familias afectadas quer na Camacha ,quer no Curral das Freiras a ainda durante oito dias consecutivos mantiveram um grupo em apoio aos bombeiros voluntários da Ribeira Brava. Refira-se que muitas destas acções foram desenvolvidas por iniciativa própria, apoiada no conhecimento da situação por parte dos voluntários. Os responsáveis pela coordenação do apoio às populações foram sempre sendo informados dos nossos envolvimentos. E tudo isto não justifica uma condecoração, perguntar-me-ão. Não sei, nem me compete pronunciar sobre o assunto. O relatório de toda a actividade operacional desenvolvida foi, em devido tempo, distribuido às entidades com responsabilidade na matéria. Certamente não preenchia os requisitos. Mesmo assim muito reconhecidos ficariamos se depois de o analizarem satisfizessem algumas das necessidades encontradas naqueles dias. O Voluntário da Cruz Vermelha Portuguesa não é melhor do que os demais voluntários de outras instituições. Mas que é diferente isso é. E por isso achei demasiado forte o titulo da noticia, e logo na 1.ª pagina. Nenhum voluntário que se honre de o ser deixa de cumprir as suas obrigações por ver o trabalho de outra instituição reconhecido, antes pelo contrário . Além do mais convem esclarecer que o trabalho iniciado pela Cruz Vermelha Portuguesa junto das populações afectadas não terminou. Só daremos por concluida essa tarefa no dia em que os desalojados da Serra d' Água receberem as suas casas. Todos os voluntários da Cruz Vermelha Portuguesa sabem a confiança de que são credores junto da população e é esse crédito que faz com que mereça a pena ser voluntário. Não gostaria de terminar sem endereçar uma palavra de felicitação às corporações condecoradas, bem como uma palavra de conforto aos familiares daqueles que deram a sua vida para que outros vivessem.