Ana Berenguer É com um sentimento de revolta que me interrogo sobre as novas medidas encontradas pelos políticos deste país para tirá-lo da fossa onde o meteram! Se temos de pagar dívidas que não fizemos quem pagará as nossas? Se cada vez mais, temos menos poder económico como podemos cumprir com os nossos compromissos: como vão os portugueses, pagar à banca o crédito habitação, como vão sustentar os filhos na faculdade, especialmente aqueles que não auferem de bolsas de estudo, porque não tiveram habilidade suficiente para camuflar e poder usufruir desses benefícios! Como vão os madeirenses pagar a habitação onde vivem os filhos espalhados de norte a sul do país, porque a condição de ilhéus assim obriga, como vão alimentar famílias, como vão pagar transportes, como vão pagar propinas, como vão pagar luz, água, gás, despesas de saúde e tudo aquilo que é estritamente necessário? Penso que realmente é urgente pôr termo à roubalheira, à calamidade económica em que se encontra o país ou seja à calamidade escandalosa em que deixaram o país aqueles que viveram à grande e que arrecadaram milhões indecentemente! Enquanto o Dr. Rendeiro, fazia render em proveito próprio o dinheiro que roubava aos clientes do banco que geria e o Dr. Mexia, mexia e chafurdava para iludir que trabalhava, sim porque não é necessário muita criatividade para gerir uma empresa que vende um produto consumido por todos os portugueses, a electricidade, nunca se lembraram que havia portugueses contando os trocos todos os dias, para fazer face às despesas sem ter que roubar! A tudo isto assistem impávidos e serenos, os nossos políticos que também mexem e fazem render, nas suas contas, aquilo que é de todos os portugueses! Senão vejamos, onde param os milhões dos submarinos, do freeport e de todos os jogos sujos e escondidos com o rabo de fora, protegidos por leis fabricadas à medida pelos políticos que desgovernaram Portugal? A diferença reside aqui, é que se nós não cumprirmos com as nossas obrigações ficamos sem casa, os filhos não estudam, não comemos, enfim não podemos viver, e ainda temos de pagar aquilo que não gastámos. Quem mexeu no que não devia e fez render o que não era seu que pague a crise! O senhor secretário do Plano e Finanças, Ventura Garcês, está visivelmente preocupado com as medidas tomadas pelo Sr. Sócrates. Preocupa-se que à semelhança de Espanha tenha que cortar nos salários dos funcionários públicos. Sr. Secretário os ordenados de 'nuestros hermanos ' não são em nada comparáveis aos nossos! Espanha vai cortar 5% nos salários da função pública e 15% nos vencimentos dos políticos e gestores públicos! Vossa excelência é favorável à proposta do PSD Nacional que visa cortar apenas 2,9% nos vencimentos dos políticos e gestores e 1 ou 1,5% na função pública que tem ordenados congelados desde 2005! Se quer seguir à risca o nosso país vizinho sugira que se aplique a proporção correcta e assim a percentagem a descontar a políticos e gestores será 4,5%! Além disso acho de bom-tom, que se não acabarem com os prémios aos gestores que se aplique a mesma taxa de desconto, porque senão o que vai acontecer já todos sabem: diminui no vencimento aumenta no prémio! É que os políticos deste país, quando se trata de nos fazer pagar, taxas, impostos, migalhas indevidamente recebidas são céleres. O mesmo não se passa com as grandes empresas que fogem ao fisco e quando se simula que foram detectadas as fraudes, já prescreveram, que pena! A propósito gostava de saber onde pára o dinheiro devolvido pela Caixa Geral de Aposentações, indevidamente descontado por alguns professores e que até à data não lhes foi entregue! É pouco, mas é nosso, foi descontado do nosso vencimento! Para pagarmos é agora ou acrescem juros, para receber é quando lhes apetecer! O estado degradante em que está o nosso país só se resolve com medidas severas aplicadas no sentido descendente. O jogo tem que ser jogado na presença de todos os jogadores, conhecedores de todas as regras bem definidas, interdito a viciados. Quem prevaricar será automaticamente eliminado e não terá à sua espera um alto cargo de chefia numa empresa qualquer onde vai fazer 'niente', ganhar muito, traficar influências a troco de encher os bolsos e deixar o país na miséria.