MT Na década de 60, quando frequentei a instrução primária (actual 1º ciclo do ensino básico), deliciei-me e consolidei muitos princípios, com as fábulas que traziam,no verso, os humildes cadernos da altura. Lembro-me de ler, muito atentamente, a moral da história, que aparecia como remate, em todas elas.Relembro particularmente a fábula "A Cigarra e a Formiga"- a Cigarra era preguiçosa, não queria trabalhar, mas apenas divertir-se, enquanto a pobre formiguinha trabalhava todo o Verão, de sol a sol, para ter o que comer durante o Inverno. Seguindo o raciocínio mais lógico, não era de admirar que, depois, a Formiga tivesse a sua recompensa e a Cigarra o seu castigo. Mas, decepção das decepções!| Agora a moral da história já é outra! Fiquei chocada, quando soube que, actualmente, a moral desta fábula foi deturpada e transformada numa "mais politicamente correcta"(?), ou seja, hoje, os educadores do nosso país, ensinam às criancinhas de tenra idade que, apesar de tudo, devemos ter pena das cigarras que nada fazem e dividir com elas o fruto do nosso árduo trabalho de formiguinhas. Claro que esta moral tinha de dar os seus frutos! O que são muitos dos beneficiários do rendimento mínimo, se não cigarras que vivem à custa do trabalho das formiguinhas? É por isso que há quem receba o rendimento mínimo para fazer cruzeiros e crianças que se recusam e estudar e dizem aos professores, que os incentivam a lutar por um futuro melhor, que não tencionam/querem fazê-lo, porque vão viver do rendimento mínimo, tal como os seus pais. É inacreditável, mas há muitas pessoas que recebem mais de rendimento mínimo e outras pensões "associadas", sem nada fazerem de produtivo, do que muita gente que trabalha! Como se hão-de sentir, perante este desrespeito, aqueles que recebem o salário mínimo ou uma pensão de miséria, após uma vida de luta e trabalho? Como é possível que alguém que não trabalha, não queira trabalhar, receba mais do que alguém que trabalha, seja lá em que actividade fôr? Por que motivo não se obrigam as cigarras a trabalharem, varrendo estradas, limpando matas, limpando valas, por exemplo? Será que não chegou ainda a altura de devolvermos à fábula "A Cigarra e a Formiga" a sua verdadeira moral? Até quando vamos nós, pobres formiguinhas, ter forças para aguentar? Uma formiguinha à beira de um ataque de nervos, no país da treta.