Francisco Leite Monteiro A evocação de estudos, sem os conhecer em alguma profundidade, tem riscos, sobretudo quando se fazem certas extrapolações que, podendo impressionar, não dão resposta às dúvidas que subsistem quanto ao sucesso e, em particular, à rentabilidade do golfe do Porto Santo. Sem enveredar por essa via e, em comentário ao apontamento de Gonçalo Maia, no Diário de Domingo, até pela limitação de espaço disponível, opto por muito simplesmente, sem subterfúgios, recordar o que em diversas ocasiões, disse e escrevi no Diário, com os pés bem assentes na terra, a propósito da realidade que é o golfe do Porto Santo. Não é a qualidade do projecto, nem a sua execução que se questiona, como não é tampouco a beleza das suas vistas, como até escrevi (Diário 25.11.2004) após, pela primeira vez, lá ter jogado: «Joguei e gostei imenso. Pelo campo em si, muito desafiante, pelas vistas deslumbrantes. Não vou entrar em euforia e clamar, como outros já fizeram, que é o melhor do mundo ou sequer o melhor de Portugal. Não tenho a pretensão de conhecer um número significativo de campos de golfe do nosso mundo, mas conheço os de Portugal e, não tenho a menor dúvida em afirmar que o Porto Santo se situa entre os melhores, como entre estes se situa também o Santo da Serra». O que subsiste é o enquadramento do golfe na realidade que todos desejamos, tendo em vista o desenvolvimento e a promoção do Porto Santo. Mais uma vez cito o que escrevi (Diário 03.09.2010): «… o golfe que continua fazendo que anda, não se sabendo bem como, deverá merecer uma atenção especial. No golfe, foram e continuam a ser gastos dinheiros públicos de vulto …» desde a construção, um investimento que era suposto ser em parte suportado pelo concessionário do casino - projecto que não foi por diante, como se sabe - em resultado do que «… o investimento teve de ser suportado pelos dinheiros públicos, que igualmente passaram a suportar a maior parte dos encargos operacionais, desde a abertura do campo de golfe, uma vez que os fundos gerados pelas receitas de utilização do golfe, são insuficientes. A este respeito, note-se que a estimativa inicial da Sociedade de Desenvolvimento do Porto Santo, só para manutenção, era de 4 milhões de euros por ano…». Como rematei então «… desconhece-se o montante do passivo acumulado actual, indispensável para avaliação mais completa do peso relativo do golfe…». É, exactamente por aí que importa pegar no assunto para, com toda a transparência, sem recurso a indicadores teóricos, poder entender-se o equilíbrio entre as despesas e as receitas e as suas origens.