Luís Abreu de Freitas A recente catástrofe dos incêndios florestais que se abateu sobre as serras da Madeira no passado mês de Agosto, e que tanta destruição causou à nossa mancha florestal, de uma riqueza e importância incalculável veio mostrar, de forma bem evidente, quão necessários são os meios aéreos para o combate a este tipo de fogos. De facto, a intervenção numa fase inicial dos incêndios florestais pode contribuir para um combate mais eficiente, poupando assim um maior esforço aos meios em terra, permitindo igualmente chegar mais facilmente às áreas inacessíveis a homens e viaturas. Muito se disse nestes últimos dias sobre os incêndios e, muito especialmente, sobre os meios aéreos na Madeira. Que não são rentáveis e que a sua utilização é impraticável, que são luxos apenas para usar (e mal) uma "meia-dúzia" de vezes durante o ano. Ora, os meios aéreos (neste caso, os helicópteros, aeronaves mais adequadas à nossa realidade) são polivalentes, ou seja, não têm que ser, forçosamente, utilizados única e exclusivamente para combater incêndios; têm uma variedade de funções, desde transporte de emergência a missões de busca e salvamento (em terra e no mar), passando pela topografia e fotografia aéreas, evacuação sanitária, fiscalização da costa, transporte de carga suspensa, manutenção de cabos e torres de alta tensão, etc.. Quanto ao abastecimento de água, essencial para o combate aos fogos, é certo que recorrer à água do mar não é a melhor opção para abastecimento dos helicópteros, pois queima os terrenos. Mas, e porque não criar lagoas artificiais (não tão grandes como a Lagoa do Santo da Serra, claro está), localizadas em zonas estratégicas, que possam acumular funções de depósito para regadio e tanques de abastecimento para helicópteros de combate aos fogos? Ou então, porque não encetar um plano de construção de pequenas barragens, com vista à retenção (e também ao aproveitamento para irrigação de terrenos agrícolas) da água das ribeiras (e que poderiam igualmente servir como barreira de contenção face aos entulhos trazidos pelas enxurradas, como as do passado dia 20 de Fevereiro), permitindo assim um aproveitamento mais racional da água doce? Se o Governo Regional e as Câmaras Municipais não se aplicarem na tomada de medidas concretas sobre este assunto, então de nada valerá iniciar a reflorestação das nossas serras. Para quê? Para que daqui a 3, 5 ou 10 anos, todo esse investimento que agora terá lugar seja novamente transformado em cinzas e fumo? É o mesmo que deitar dinheiro fora, ou melhor, é o mesmo que vê-lo a esfumar-se no ar. Pelo que se vê, parece não haver vontade política por parte das entidades governativas na salvaguarda da nossa floresta. Gritar que são precisas penas duras para quem é incendiário não resolve nada. O problema das nossas florestas vai mais além do crime de fogo posto. Passa pelo desleixo nas suas limpezas, pela falta de meios de vigilância, pela falta de estruturas de combate aos fogos, e, entre outros, passa igualmente pela… falta de meios aéreos. Pergunta-se: a Madeira precisa mesmo de meios aéreos? É claro que precisa. Precisa e muito. Só que não há vontade de adquiri-los e utilizá-los…