Carlos Perdigão Santos, administrador executivo da Porto Santo Line, afirmou que o Grupo Sousa está disponível para analisar e, caso estejam reunidas condições de viabilidade económica, concorrer a um futuro concurso internacional para a operação ferry entre a Madeira e o continente.

"Estamos absolutamente disponíveis para, quando o concurso internacional for lançado, com o financiamento que o Estado Central ou o Regional venha a decidir apresentar, analisar este programa, este pacote", afirmou. Caso o modelo seja considerado economicamente viável, acrescentou, a empresa estará disponível para concorrer.

Durante a intervenção, uma das várias vindas do público presente (onde se notou a ausência dos restantes partidos) nas jornadas parlamentares do JPP dedicadas ao ferry e à continuidade territorial, que se realizaram hoje, Carlos Perdigão Santos contestou também a ideia de que exista apenas um operador de transporte marítimo de carga para a Madeira, sublinhando que existem actualmente diferentes alternativas de transporte utilizadas para abastecer a Região.

O administrador executivo da Porto Santo Line alertou ainda para o uso do termo "cartel" no debate sobre os operadores marítimos. Considerou que a expressão pressupõe uma combinação de valores entre operadores e constitui uma acusação com implicações legais, pelo que defendeu rigor na utilização da terminologia.

Carlos Perdigão Santos questionou igualmente a referência feita durante as jornadas a uma quota de 10% da carga transportada pela anterior operação da Naviera Armas. Disse não ter a certeza de que esse valor esteja correcto ou seja definitivo e apresentou uma estimativa para demonstrar a dimensão que tal quota representaria em unidades de carga e veículos.

Segundo os seus cálculos, uma quota de 10% implicaria um volume significativo de contentores e camiões, que teria de ser confrontado com a capacidade dos navios utilizados na operação. O responsável considerou, por isso, importante verificar os dados históricos antes de os utilizar como base para uma nova ligação.

O administrador executivo da Porto Santo Line abordou também a capacidade de transporte de 40 camiões por viagem, considerando que esse número não deve ser analisado isoladamente. Explicou que um ferry tem de conciliar espaço para carga rodada com capacidade para viaturas ligeiras, permitindo que passageiros transportem os próprios automóveis.

Como exemplo, referiu um navio com cerca de 300 lugares para viaturas ligeiras, defendendo que a distribuição do espaço poderia reservar cerca de dois terços à carga e um terço às viaturas de passageiros. Na sua perspectiva, esta configuração permitiria assegurar simultaneamente o transporte de mercadorias e a mobilidade de residentes e outros passageiros.

Carlos Perdigão Santos reiterou ainda que já existe uma solução para passageiros que pretendam viajar por via marítima para o continente. Segundo explicou, os navios porta-contentores do Grupo Sousa dispõem de camarotes que podem ser utilizados por passageiros, permitindo-lhes viajar juntamente com a carga.

A solução, acrescentou, pode ser utilizada actualmente por pessoas que tenham dificuldades em recorrer ao transporte aéreo, não sendo necessário esperar pela eventual criação de uma nova ligação ferry para disponibilizar uma alternativa marítima.

No final, Carlos Perdigão Santos reiterou a disponibilidade da Porto Santo Line para participar num eventual concurso internacional. A decisão de avançar, contudo, ficará dependente das condições do concurso, do modelo de financiamento e da demonstração de sustentabilidade económica da operação.