O presidente norte-americano, Donald Trump, apelou hoje ao
homólogo russo, Vladimir Putin, para um fim rápido da guerra na Ucrânia, numa
conversa telefónica em que este garantiu não ter "planos hostis"
contra a Europa.
"Trump expressou claramente a ideia de que seria desejável um
fim rápido do conflito, o que abriria imediatamente caminho para o pleno
restabelecimento das relações entre os Estados Unidos e a Rússia", disse o
conselheiro político do Kremlin (presidência russa), Yuri Ushakov, numa
conferência de imprensa por telefone.
O inquilino da Casa Branca (presidência norte-americana) expressou
também interesse em que esse "progresso ocorra durante o seu mandato
presidencial", que termina em janeiro de 2029.
Para tal, acrescentou o conselheiro, o líder russo explicou-lhe os
passos que Washington poderá "realmente" dar para "um rápido fim
das hostilidades" na Ucrânia, iniciadas há quatro anos e meio com a
invasão russa do país vizinho, a 24 de fevereiro de 2022.
A conversa entre os dois chefes de Estado, a primeira desde 04 de
julho, centrou-se nas reuniões realizadas no fim de semana em Moscovo e Kiev
pelos enviados da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner.
Ambos consideraram "positivos" os resultados dessas
consultas e concordaram que tais contactos se manterão no futuro.
Tal como fez com os mediadores norte-americanos no sábado, Putin
informou Trump sobre os progressos da campanha militar russa, "as
perspetivas de avanços no campo de batalha e a conquista dos objetivos estabelecidos".
"Sobre as especulações sobre alegados planos hostis em
relação a países europeus, foi sublinhado que nunca nos passaram pela cabeça
planos agressivos contra a Europa", afiançou também Ushakov.
A Alemanha acusou a Rússia de estar por detrás do incidente
ocorrido em agosto com um drone com explosivos no aeroporto de Leipzig, o que
Putin associou às eleições regionais naquele país, ao passo que a Hungria
expulsou hoje dez diplomatas russos.
O principal resultado das reuniões do fim de semana entre os
mediadores norte-americanos e Putin e o Presidente ucraniano, Volodymyr
Zelensky, foi a própria retomada dos contactos após mais de seis meses de
pausa, devido à guerra iniciada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por
Israel contra o Irão.
As conversações não deram frutos e, de facto, ambas as partes no
conflito retomaram hoje os ataques às duas capitais, após uma trégua de 72
horas, embora os Estados Unidos tenham esperança de convocar em breve uma
reunião trilateral, semelhante à realizada em fevereiro em Genebra, Suíça.
Os especialistas independentes consideram que o líder russo
endureceu a sua posição nos últimos meses devido aos bem-sucedidos ataques
ucranianos à sua retaguarda, destruindo infraestruturas logísticas, militares e
energéticas.
Defendem também que as consultas com os enviados dos Estados
Unidos fazem parte do esforço de guerra e que Putin não negociará a sério até
ter conquistado todo o Donbass (leste ucraniano), objetivo que espera alcançar
este ano, o que os especialistas pensam ser improvável.
