O Banco Central Europeu (BCE) deverá anunciar um novo aumento nas
taxas de juro na quinta-feira, em 25 pontos base e para o limite superior da
zona neutra, estimam os analistas, depois da manutenção das taxas diretoras em
julho.

"Esperamos que o Banco Central Europeu anuncie um segundo
aumento da taxa de juro na reunião de 10 de setembro, elevando a taxa dos
depósitos para os 2,5%", refere o diretor de investimento global de
Mercados Públicos da Allianz Global Investors (AllianzGI), Michael
Krautzberger.

Esta revisão em alta colocaria a taxa de facilidade de depósito em
2,5%, o limite superior da zona neutra.

Krautzberger estima que o BCE eleve as previsões do PIB em 0,1
pontos percentuais para este ano (0,9%) e no próximo (1,3%), refletindo a
resiliência recente e a melhoria nos inquéritos de sentimento face às perspetivas
futuras, enquanto a da inflação deverá descer para 2,8% (-0,2 pontos
percentuais) este ano e atingir os 2,6% no próximo ano (mais 0,3 pontos
percentuais).

O responsável da AllianzGI não descarta, no entanto, um novo
aumento ainda antes do fim do ano.

"Acreditamos que é provável outro aumento de 25 pontos base
em dezembro", diz, no comunicado.

Já do lado da Ebury, o analisat Roman Ziruk acredita que esta será
a última vez que o BCE vai mexer nas taxas diretoras este ano.

"Atualmente, os mercados estão a antecipar outra subida em
dezembro e uma nova em março. Julgamos que é muito agressivo. O
economista-chefe do BCE, Philip Lane, apontou para 2,5% como o limite superior
da zona neutra, por isso um aperto acima do deste mês empurraria a política
para terreno restritivo", refere a previsão da Ebury.

No entender desta previsão, setembro deverá marcar a última subida
neste ciclo, ainda que "claro, muito dependa da evolução da guerra no
Irão".

Citado pela Europa Press, o diretor global de macroeconomia da ING
Research, Carsten Brzeski, acredita que a decisão será "um aumento das
taxas de juro por precaução".

"Com os preços do petróleo ainda elevados e o risco de uma
nova subida drástica do preço do gás a aumentar, a maioria dos responsáveis da
política monetária do BCE terá dificuldades em não ver motivos suficientes para
mais um aumento das taxas", acrescentou.

O analista considerou ainda que ir além dos 2,5% seria
"atirar mais lenha para a fogueira" num cenário de problemas para as
finanças públicas e com o aumento dos juros da dívida.

Daí, Carsten Brzeski disse ser "difícil imaginar que o BCE
esteja disposto a arriscar uma recessão para fazer face ao que continua a ser
um caso típico de crise de oferta".

O Conselho de Governadores do BCE reúne-se quarta e quinta-feira
em Berlim para decidir o futuro da política monetária da zona do euro.

Na reunião de julho, o Conselho de Governadores manteve por
unanimidade as taxas diretoras, como era esperado pelo mercado, depois de na
anterior reunião de política monetária, em 11 de junho, ter aumentado, pela
primeira vez desde 2023, as três taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais
para responder ao aumento dos preços globais provocado pelo conflito do Médio
Oriente.

Na ocasião, presidente do BCE, Christine Lagarde, acrescentou na
conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Governadores que
em setembro o BCE teria mais dados novos para tomar a decisão sobre as taxas
diretoras e que, por isso, seria possível que decidisse aumentá-las no encontro
que hoje começa.